Underworld: O Despertar 3D, de Mans Marlind e Björn Stein
À quarta entrega, já não é suficiente que o fenómeno Underworld cheire a cordite e o guarda-roupa de vinil seja justo e reluzente. Desde 2003, quando o sleeper arrasou nas bilheteiras, vampiros e lobisomens tornaram-se alvo de chacota, a perderem-se de amores por humanas pindéricas e a alimentarem-se de sangue artificial. A sequela (2006) continuou a apostar nos protagonistas do original, mas o terceiro (2009) foi uma tentativa mal recebida de retroceder no tempo, uma prequela sobre a origem do lobisomem Lucian, ou não estivesse o actor Michael Sheen a subir na carreira. Curiosamente, Len Wiseman, criador do conceito e realizador dos dois primeiros filmes, casou com a protagonista Kate Beckinsale no set do filme original, tendo-a literalmente roubado a Michael Sheen, o que pode explicar Wiseman não ter realizado Underworld: A Revolta.
Wiseman escreveu o guião de Underworld: O Despertar, mas cedeu as câmaras 3D aos suecos Mans Marlind e Björn Stein, por ter a atenção centrada no remake de Total Recall, agendado para o verão de 2012, com Colin Farrell, Jessica Biel e a esposa. Os personagens principais de Underworld 1 e 2 são recuperados, mas Scott Speedman declinou participar, pelo que o seu papel foi reduzido ao mínimo e o seu rosto decalcado digitalmente em cima de um figurante. Kate Beckinsale ainda é eye candy que chegue. Depois de The Interbetweeners: O Filme (2011), é impossível não recordar Theo James, que vem dar uma ajuda, sem fezes nos dentes.
Cada vez há menos razão para o prolongamento desta saga, cuja história termina em suspenso para justificar uma quinta parte. Quanto a originalidade, urtigas; a enredo, esboço; a emoção, bocejo. Aventura escapista em piloto automático, atira-nos para 12 anos no futuro, após os humanos efectuarem uma purga a vampiros e lobisomens, com alguns espécimes em laboratório e a maioria desfeita em pó. Selene acorda num laboratório, numa situação próxima à de Alice no primeiro Resident Evil (2002), mas rapidamente readquire os reflexos, mata, esfola, foge e descortina uma conspiração licantrópica, à qual põe termo com efeitos especiais desoladores, movimentos auxiliados por cabos involuntariamente identificáveis e uma pressa tal que em hora e meia já se está na rua e a sessão seguinte a começar. A história não respira, as surpresas chegam aos tropeções e a acção é despachada pela montagem em modo de poupança. Já que mais um filme é inevitável, urge reencarrilhá-lo nos moldes definidos até Underworld: Evolução (2006).
Underworld: Awakenig 2012
O Evangelho Segundo Cinéfilo
13 Comments:
Não partilho da mesma opinião sobre o filme. Uma vez que esta é uma saga pouco relevante em termos de vampiros/lobisomens e desde o primeiro o que mais sobressaía era a acção, o visual Matrix e a incontornável Kate "vistosa" Beckinsale... agora... nada melhor do que assumir que em termos mitológicos já cansava e já se auto-rebuscava em loop (depois da prequela "who cares?" bater no fundo), acho que agora sim: acertaram.
"Underworld: Awakening" sabe perfeitamente o que quer ser agora que tem menos relevância, faz isso com humildade, rigorosamente quer ser somente serie B (ou menos) e dá tudo por tudo como filme de acção non-stop, não insistindo na carga mitológica e fazendo sobressair o que de melhor tem a saga (além da Kate apelativamente vistosa no visual de Selene) que é a guerra entre vampiros vs licantropos. Cumpre plenamente em tudo o que se propôs e com os seus meros 85min é entretenimento puro e rápido.
Adorei tudo! 6,5/10 (De interessante a bom)
Armindo, aquilo a que chamas de atingir os objectivos, eu chamo de ficar aquém. não se pode dizer que "cumpre em tudo o que se propôs", sem se saber realmente a que é que eles se propuseram. o que sabemos, sim, é o resultado que, como dizes, é humilde e pode nem sequer chegar a série B.
o filme até pode dar o tudo por tudo como filme de acção nonstop no papel, mas a concretização é pindérica. de tantos tiros e uma kate a ser atirada contra tudo o que é parede, não fica uma única cena que mereça ser recordada.
convém mencionar que estás a defender um filme ao qual dás apenas 6,5 val, quando dás um mínimo de 7 val a todas as comédias românticas que já discutimos até hoje :P
Só nalgumas é que dei 7/10... a muitas dou-lhes 6/10 ou menos.
Depende do filme (de muita coisa) mas muitas vezes também conta o feeling que me deixa. a impressão final... não há aqui nenhuma rocket-science. Um filme nem sempre é feito para ser visto de forma analítica mas também pelo entretenimento que proporciona.
Por exemplo:
"The House Bunny" 4/10
"Runnaway Bride" 5/10
"What's Your Number?" 5/10
"I Don't Know How She Does It?" 6/10
"Scoop" 6/10
No FilmAffinity (podias aderir também, carago), vou classificando conforme vou vendo, por vezes revejo alguma classificação. Mediocre é 4, 5 é decente, 6 interessante, 7 Bom, 8 Muito Bom...
Baseado no trabalho de Len Wiseman para os dois primeiros filmes, estava à espera de mais. Os filmes eram emocionantes, enquanto que este é uma pálida sombra do que esses foram. Claro que o Wiseman não está a realizar o 4 e isso faz toda a diferença. Podes ter a mesma pistoleira de vinil preto e lobisomens maiores, mas não interessa quantas centenas de tiros ela consegue disparar antes de ter de recarregar as armas, não é a mesma coisa.
Só para dar aquela prova irrefutável, o Psycho do Hitchcock tem a mesma história, quase frame-por-frame, que o do Gus van Sant, mas o Hitchcok faz um grande filme de suspense e o outro fez um pastiche sem interesse.
Só porque gosto do Wiseman, aqui fica a nota: ele pegou no Die Hard 4 e fez uma grande festarola de acção, o filme aguentou-se muito bem, muito melhor, aliás, que o 3.
Recentemente, e só para veres que eu também me deixo levar por feelings, gostei bastante dos 3 mosqueteiros, filme quase unanimemente desprezado. E não foi para ser do contra, o filme tem bom espadachim, uma história concisa (ainda que fuja ao romance) e os gags funcionam em pleno, são realmente cómicos.
Ainda mais recentemente, tão recentemente que ainda nem escrevi a crítica, amei o Tintin. Todos os pormenores, adorei a história, os cenários, a acção, tudo. Não tenho um único defeito a colocar ao Tintin. Aliás, acho que o Spielberg se dedicou tanto ao Tintin quanto se borrifou para o Cavalo de Guerra, que é um drama de guerra ao nível mais soporífero.
Espreitei o site do FilmAffinity e fiquei como um burro a olhar para um palácio: para que serve aquilo, só para classificar filmes a eito? Já deves ter reparado que eu não dou estrelas no meu blog. Gosto de opinar, de comentar, de falar sobre cinema até à exaustão, mas dar estrelas não acho grande piada. Por outro lado, gosto de ver a classificação que o IMDb dá aos filmes antes de os ver...
Dás 6valores ao I Don't Know How She Does It? Ui, eu dava-lhe para aí 2... :)
Ora bem... tanta coisa referiste.
Sobre o Underworld 4... é como disse. Acho que suavizaram tudo o que fosse complexidade mitológica e colocaram mais acção non-stop e com isso conseguiram criar um interessantissimo filme de acção que em momento algum demonstra querer ser mais do que é. aqui não se procura ser épico, over-the top, etc... é curto e grosso... sempre a andar!
O Tintin estava tudo bem, dinâmico, os cameos ao inicio a dar imenso charme, o foto-realismo da animação encanta... mas entre o meio e o fim, o filme perdeu-me a mim. Não sei explicar mas achei aventura a mais, a camera deambulante enjoou-me e a ideia que mantinha do Tintin era mais em modo detective e não algo com tanta acção como o filme tem. O próprio Haddock era mais lúcido do que este que esteve sempre bêbado. tecnicamente bem feito, pleno de aventuras mas não senti nada quando terminou.
Por exemplo aí... os 3 Mosqueteiros já foi um que me agradou plenamente. É um filme de pura diversão (mas ainda há dias discuti o que acho do filme e fiquei esgotado com alguém...).
O psico do van sant... é meramente um exercicio que provoca curiosidade em ver como resultou mas é uma ideia falhada sim. Vi-o no cinema e repeti em DVD mas já chega... o original é todo ele superior sim!
Quanto às classificações... eu pensava exactamente o mesmo. Não as usava e nem as colocava nos artigos. Contudo, fui percebendo que são mais importantes do que parece e apenas falar do filme. Ajudam a posicionar um filme perante outros. Desde que passei a usar o site do FilmAffinity, entendi que realmente dar uma classificação a um filme também é muito importante e que complementa a perspectiva sobre quem lê a opinião critica.
E digo que não sei como posicionas os filmes que aqui criticas. Nos textos dás a crer e tal mas a classificação dá sempre outra especificidade.
Repara que até prestaste atenção às minhas classificações... que sao baseadas no método Film Affinity, cujo 4/10 é considerado ainda positivo -"Regular" (tipo "Nada de mais, por exemplo). Se não gostas não uses... foi só uma sugestão. Eheheh!
em relação ao Underworld 4, acho que já esmiuçámos tudo. eu esperava mais impacto, tu achaste que era mesmo aquilo que ias ver e por isso não te desiludiu.
o tintin foi uma montanha russa de emoções, não me importei nada que ele não fosse mais detective pensador. talvez em próximas aventuras acalme. encheu-me as medidas do ponto de vista visual, sonoro e intelectual. e passei o filme a dizer que o daniel craig era o vilão até finalmente o confirmar. gostei das vozes.
quanto a classificar os filmes, não é algo que me seja intuitivo, por isso não o faço. quando escrevi para o portal da sapo, eles queriam estrelas e eu dava, mas não era enquanto escrevia a crítica que pensava nisso, era quando tinha de mandar-lhes o email com o link para o meu blog, punha lá a estrela à pressão e em cima do joelho.
para mim, 4 é uma nova negativa, tipo mau sem ser péssimo. mas já dei bolas pretas, que é o mesmo que zero.
se és fã da kate beckinsale e não és muito exigente, ela tem um filme intitulado Whiteout em que aparece em trajes bastante reveladores, quase no início. baseia-se num graphic novel que é melhor que o filme.
http://axasteoque.blogspot.com/2010/03/whiteout-de-dominic-sena.html
No Tintin não achei muita graça ao vilão ter a cara do Spielberg. Uma coisa era ele ter feito um cameo de um desconhecido com a cara dele (como fez do daniel Craiga logo ao inicio) e outra é todo o filme com uma animação dele.
E o filme falta-lhe o charme extra da lingua em francês e também os nomes correctos às personagens. Snowy? Sempre conheci o cão por Milú (o cão é para mim a melhor personagem de todo o filme já agora e está mesmo muito bem animado). É um filme hibrido, quem nem é bem uma animação mas sim um live-act carregado de CGI (compreendo os Oscars em não o considerarem - senão o Avatar também era daui a nada).
Acredita que ia dar 7/10 (Bom) mas quando pensei em tudo o que me desconsolou mudei para 6,5/10... não tirei muito mas percebo o desconforto em quem não concordar comigo e ainda porcima for grande fã do Tintin.
Sim, mas é claro que já vi o "Whiteout"! Ui... ui... mas é um filme mediano. Entretém apenas e dá para passar o tempo!
Dela bem melhor e superlativo é o magnifico "Last Days Of Disco" (7,5/10), que até pertence à colecção Criterion... soube disso á pouco tempo.
http://armpauloferreira.blogspot.com/2011/10/cine-critica-last-days-of-disco-1998.html
A classificação de 4 que referi pode ser vista como negativa mas curiosamente no Film Affinity, ao ser chamada de "Regular" tira-lhe essa carga negativa. Menos do que isso é que surgem os termos Poor (3), Bad (2) e Awfull (1).
Podes ver nesta imagem que disponibilizo (temporariamente):
http://dl.dropbox.com/u/2934122/APF%20Film%20Affinity%20classifications.jpg
as classificações do Film Affinity interesting (6), decent (5) e regular (4) são um bocado cosmética...
quem sabe, talvez me faças interessar por estrelinhas. se encontrar a estrela ideal, talvez crie um jpg para o efeito. acho que apanhei os last days of disco há muitos anos no hollywood, mas não me lembro do filme integralmente, por isso devo ter desistido dele, principalmente por não o ter apanhado no início. recomendas?
não achei o vilão nada parecido com o spielberg, mas com o richard e. grant, pelo que vi o richard e. grant durante todo o filme. foste tu que achaste parecido com o spielberg ou foi mesmo intencional? lol
eu acho que o tintin devia ter sido considerado animação, porque eu olho para a imagem e não vejo pessoas, vejo bonecos pintados. aliás, o cinema são imagens animadas - moving pictures. não diz que têm de ser desenhadas.
por exemplo, o wallace e gromit ganharam o oscar de animação em 2005 e são marionetas de barro. o estranho mundo de jack é animação e também é com marionetas, mas foi candidato a melhores efeitos visuais porque a animação só teve direito a Oscar aquando do shreck vs monsters inc (2002).
ainda mais excepcional, a bela e o monstro foi nomeado para melhor filme em 1992, a concorrer com os filmes de carne e osso.
Sim, se recomendo. E sabe melhor ver hoje esse filme que talvez na época. É os actores ainda jovens a darem boas cartas, a história boa, os diálogos fortes e implacáveis (especialmente os diálogos da Kate, que é uma bitch daquelas com a mania que sabe tudo e que é boa).
na minha review ainda meti lá algumas frases... todas da Kate.
A prequela do The Thing não vi ainda... who cares?
Quanto ás classificações... ok. mas gosto como eles classificam e assim dá para distanciar melhor entre mau até bom (por ter vários níveis de escolha). Estrelas nunca achei graça... mas numa tabela de 5 estrelas, considero cada uma valer 2 pontos... logo 3/5 = 6/10 e por aí fora.
Tá não te aborreço mais com esta questão...
não aborreces nada. quando alguém me pergunta quantas estrelas acho que um filme merece, digo logo. mas não me é intuitivo e por isso não o faço no blog. além do que acho que o público vai logo atrás da classificação em vez de ler a apreciação e não quer dar-lhe esse facilitismo :)
o the thing é mesmo uma questão de who cares.
days of disco a caminho. sim, se há coisa de que me lembro é da kate fazer de bitch.
Mesmo assim experimenta ler a minha review que fiz ao Last Days Of Disco... e ler mais alguma coisa pela net. Eu gostei bastante do filme. A Chloe Sevigny mais uma vez, e tão nova, irrepreensível numa personagem que tem de aturar a bitch constantemente.
E a banda sonora de canções Disco são um must (tenho o álbum e é quase uma colectânea do melhor da época).
Espreita melhor, o trailer e tal... boa sorte. Se não gostares... como és mais analitico a apreciar os filmes... olha, paciência e não me venhas bater. Eheheheh!
http://armpauloferreira.blogspot.com/2011/10/cine-critica-last-days-of-disco-1998.html
já li o teu texto, depois logo se vê se fico perto do teu 7,5 :)
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