Sábado, Fevereiro 25, 2012

Underworld: O Despertar 3D, de Mans Marlind e Björn Stein

À quarta entrega, já não é suficiente que o fenómeno Underworld cheire a cordite e o guarda-roupa de vinil seja justo e reluzente. Desde 2003, quando o sleeper arrasou nas bilheteiras, vampiros e lobisomens tornaram-se alvo de chacota, a perderem-se de amores por humanas pindéricas e a alimentarem-se de sangue artificial. A sequela (2006) continuou a apostar nos protagonistas do original, mas o terceiro (2009) foi uma tentativa mal recebida de retroceder no tempo, uma prequela sobre a origem do lobisomem Lucian, ou não estivesse o actor Michael Sheen a subir na carreira. Curiosamente, Len Wiseman, criador do conceito e realizador dos dois primeiros filmes, casou com a protagonista Kate Beckinsale no set do filme original, tendo-a literalmente roubado a Michael Sheen, o que pode explicar Wiseman não ter realizado Underworld: A Revolta.
Wiseman escreveu o guião de Underworld: O Despertar, mas cedeu as câmaras 3D aos suecos Mans Marlind e Björn Stein, por ter a atenção centrada no remake de Total Recall, agendado para o verão de 2012, com Colin Farrell, Jessica Biel e a esposa. Os personagens principais de Underworld 1 e 2 são recuperados, mas Scott Speedman declinou participar, pelo que o seu papel foi reduzido ao mínimo e o seu rosto decalcado digitalmente em cima de um figurante. Kate Beckinsale ainda é eye candy que chegue. Depois de The Interbetweeners: O Filme (2011), é impossível não recordar Theo James, que vem dar uma ajuda, sem fezes nos dentes.
Cada vez há menos razão para o prolongamento desta saga, cuja história termina em suspenso para justificar uma quinta parte. Quanto a originalidade, urtigas; a enredo, esboço; a emoção, bocejo. Aventura escapista em piloto automático, atira-nos para 12 anos no futuro, após os humanos efectuarem uma purga a vampiros e lobisomens, com alguns espécimes em laboratório e a maioria desfeita em pó. Selene acorda num laboratório, numa situação próxima à de Alice no primeiro Resident Evil (2002), mas rapidamente readquire os reflexos, mata, esfola, foge e descortina uma conspiração licantrópica, à qual põe termo com efeitos especiais desoladores, movimentos auxiliados por cabos involuntariamente identificáveis e uma pressa tal que em hora e meia já se está na rua e a sessão seguinte a começar. A história não respira, as surpresas chegam aos tropeções e a acção é despachada pela montagem em modo de poupança. Já que mais um filme é inevitável, urge reencarrilhá-lo nos moldes definidos até Underworld: Evolução (2006).  
Underworld: Awakenig 2012

13 Comments:

Blogger ArmPauloFer said...

Não partilho da mesma opinião sobre o filme. Uma vez que esta é uma saga pouco relevante em termos de vampiros/lobisomens e desde o primeiro o que mais sobressaía era a acção, o visual Matrix e a incontornável Kate "vistosa" Beckinsale... agora... nada melhor do que assumir que em termos mitológicos já cansava e já se auto-rebuscava em loop (depois da prequela "who cares?" bater no fundo), acho que agora sim: acertaram.
"Underworld: Awakening" sabe perfeitamente o que quer ser agora que tem menos relevância, faz isso com humildade, rigorosamente quer ser somente serie B (ou menos) e dá tudo por tudo como filme de acção non-stop, não insistindo na carga mitológica e fazendo sobressair o que de melhor tem a saga (além da Kate apelativamente vistosa no visual de Selene) que é a guerra entre vampiros vs licantropos. Cumpre plenamente em tudo o que se propôs e com os seus meros 85min é entretenimento puro e rápido.
Adorei tudo! 6,5/10 (De interessante a bom)

2/26/2012 2:02 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

Armindo, aquilo a que chamas de atingir os objectivos, eu chamo de ficar aquém. não se pode dizer que "cumpre em tudo o que se propôs", sem se saber realmente a que é que eles se propuseram. o que sabemos, sim, é o resultado que, como dizes, é humilde e pode nem sequer chegar a série B.

o filme até pode dar o tudo por tudo como filme de acção nonstop no papel, mas a concretização é pindérica. de tantos tiros e uma kate a ser atirada contra tudo o que é parede, não fica uma única cena que mereça ser recordada.

convém mencionar que estás a defender um filme ao qual dás apenas 6,5 val, quando dás um mínimo de 7 val a todas as comédias românticas que já discutimos até hoje :P

2/26/2012 6:11 AM  
Blogger ArmPauloFer said...

Só nalgumas é que dei 7/10... a muitas dou-lhes 6/10 ou menos.
Depende do filme (de muita coisa) mas muitas vezes também conta o feeling que me deixa. a impressão final... não há aqui nenhuma rocket-science. Um filme nem sempre é feito para ser visto de forma analítica mas também pelo entretenimento que proporciona.

Por exemplo:
"The House Bunny" 4/10
"Runnaway Bride" 5/10
"What's Your Number?" 5/10
"I Don't Know How She Does It?" 6/10
"Scoop" 6/10

No FilmAffinity (podias aderir também, carago), vou classificando conforme vou vendo, por vezes revejo alguma classificação. Mediocre é 4, 5 é decente, 6 interessante, 7 Bom, 8 Muito Bom...

2/27/2012 4:30 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

Baseado no trabalho de Len Wiseman para os dois primeiros filmes, estava à espera de mais. Os filmes eram emocionantes, enquanto que este é uma pálida sombra do que esses foram. Claro que o Wiseman não está a realizar o 4 e isso faz toda a diferença. Podes ter a mesma pistoleira de vinil preto e lobisomens maiores, mas não interessa quantas centenas de tiros ela consegue disparar antes de ter de recarregar as armas, não é a mesma coisa.

Só para dar aquela prova irrefutável, o Psycho do Hitchcock tem a mesma história, quase frame-por-frame, que o do Gus van Sant, mas o Hitchcok faz um grande filme de suspense e o outro fez um pastiche sem interesse.

Só porque gosto do Wiseman, aqui fica a nota: ele pegou no Die Hard 4 e fez uma grande festarola de acção, o filme aguentou-se muito bem, muito melhor, aliás, que o 3.

Recentemente, e só para veres que eu também me deixo levar por feelings, gostei bastante dos 3 mosqueteiros, filme quase unanimemente desprezado. E não foi para ser do contra, o filme tem bom espadachim, uma história concisa (ainda que fuja ao romance) e os gags funcionam em pleno, são realmente cómicos.

Ainda mais recentemente, tão recentemente que ainda nem escrevi a crítica, amei o Tintin. Todos os pormenores, adorei a história, os cenários, a acção, tudo. Não tenho um único defeito a colocar ao Tintin. Aliás, acho que o Spielberg se dedicou tanto ao Tintin quanto se borrifou para o Cavalo de Guerra, que é um drama de guerra ao nível mais soporífero.

Espreitei o site do FilmAffinity e fiquei como um burro a olhar para um palácio: para que serve aquilo, só para classificar filmes a eito? Já deves ter reparado que eu não dou estrelas no meu blog. Gosto de opinar, de comentar, de falar sobre cinema até à exaustão, mas dar estrelas não acho grande piada. Por outro lado, gosto de ver a classificação que o IMDb dá aos filmes antes de os ver...

Dás 6valores ao I Don't Know How She Does It? Ui, eu dava-lhe para aí 2... :)

2/27/2012 6:17 PM  
Blogger ArmPauloFer said...

Ora bem... tanta coisa referiste.

Sobre o Underworld 4... é como disse. Acho que suavizaram tudo o que fosse complexidade mitológica e colocaram mais acção non-stop e com isso conseguiram criar um interessantissimo filme de acção que em momento algum demonstra querer ser mais do que é. aqui não se procura ser épico, over-the top, etc... é curto e grosso... sempre a andar!

O Tintin estava tudo bem, dinâmico, os cameos ao inicio a dar imenso charme, o foto-realismo da animação encanta... mas entre o meio e o fim, o filme perdeu-me a mim. Não sei explicar mas achei aventura a mais, a camera deambulante enjoou-me e a ideia que mantinha do Tintin era mais em modo detective e não algo com tanta acção como o filme tem. O próprio Haddock era mais lúcido do que este que esteve sempre bêbado. tecnicamente bem feito, pleno de aventuras mas não senti nada quando terminou.

Por exemplo aí... os 3 Mosqueteiros já foi um que me agradou plenamente. É um filme de pura diversão (mas ainda há dias discuti o que acho do filme e fiquei esgotado com alguém...).

O psico do van sant... é meramente um exercicio que provoca curiosidade em ver como resultou mas é uma ideia falhada sim. Vi-o no cinema e repeti em DVD mas já chega... o original é todo ele superior sim!

Quanto às classificações... eu pensava exactamente o mesmo. Não as usava e nem as colocava nos artigos. Contudo, fui percebendo que são mais importantes do que parece e apenas falar do filme. Ajudam a posicionar um filme perante outros. Desde que passei a usar o site do FilmAffinity, entendi que realmente dar uma classificação a um filme também é muito importante e que complementa a perspectiva sobre quem lê a opinião critica.
E digo que não sei como posicionas os filmes que aqui criticas. Nos textos dás a crer e tal mas a classificação dá sempre outra especificidade.
Repara que até prestaste atenção às minhas classificações... que sao baseadas no método Film Affinity, cujo 4/10 é considerado ainda positivo -"Regular" (tipo "Nada de mais, por exemplo). Se não gostas não uses... foi só uma sugestão. Eheheh!

2/28/2012 2:09 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

em relação ao Underworld 4, acho que já esmiuçámos tudo. eu esperava mais impacto, tu achaste que era mesmo aquilo que ias ver e por isso não te desiludiu.

o tintin foi uma montanha russa de emoções, não me importei nada que ele não fosse mais detective pensador. talvez em próximas aventuras acalme. encheu-me as medidas do ponto de vista visual, sonoro e intelectual. e passei o filme a dizer que o daniel craig era o vilão até finalmente o confirmar. gostei das vozes.

quanto a classificar os filmes, não é algo que me seja intuitivo, por isso não o faço. quando escrevi para o portal da sapo, eles queriam estrelas e eu dava, mas não era enquanto escrevia a crítica que pensava nisso, era quando tinha de mandar-lhes o email com o link para o meu blog, punha lá a estrela à pressão e em cima do joelho.

para mim, 4 é uma nova negativa, tipo mau sem ser péssimo. mas já dei bolas pretas, que é o mesmo que zero.

se és fã da kate beckinsale e não és muito exigente, ela tem um filme intitulado Whiteout em que aparece em trajes bastante reveladores, quase no início. baseia-se num graphic novel que é melhor que o filme.
http://axasteoque.blogspot.com/2010/03/whiteout-de-dominic-sena.html

2/28/2012 2:34 PM  
Blogger ArmPauloFer said...

No Tintin não achei muita graça ao vilão ter a cara do Spielberg. Uma coisa era ele ter feito um cameo de um desconhecido com a cara dele (como fez do daniel Craiga logo ao inicio) e outra é todo o filme com uma animação dele.
E o filme falta-lhe o charme extra da lingua em francês e também os nomes correctos às personagens. Snowy? Sempre conheci o cão por Milú (o cão é para mim a melhor personagem de todo o filme já agora e está mesmo muito bem animado). É um filme hibrido, quem nem é bem uma animação mas sim um live-act carregado de CGI (compreendo os Oscars em não o considerarem - senão o Avatar também era daui a nada).
Acredita que ia dar 7/10 (Bom) mas quando pensei em tudo o que me desconsolou mudei para 6,5/10... não tirei muito mas percebo o desconforto em quem não concordar comigo e ainda porcima for grande fã do Tintin.

Sim, mas é claro que já vi o "Whiteout"! Ui... ui... mas é um filme mediano. Entretém apenas e dá para passar o tempo!
Dela bem melhor e superlativo é o magnifico "Last Days Of Disco" (7,5/10), que até pertence à colecção Criterion... soube disso á pouco tempo.
http://armpauloferreira.blogspot.com/2011/10/cine-critica-last-days-of-disco-1998.html

A classificação de 4 que referi pode ser vista como negativa mas curiosamente no Film Affinity, ao ser chamada de "Regular" tira-lhe essa carga negativa. Menos do que isso é que surgem os termos Poor (3), Bad (2) e Awfull (1).

Podes ver nesta imagem que disponibilizo (temporariamente):
http://dl.dropbox.com/u/2934122/APF%20Film%20Affinity%20classifications.jpg

2/28/2012 3:14 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

as classificações do Film Affinity interesting (6), decent (5) e regular (4) são um bocado cosmética...

quem sabe, talvez me faças interessar por estrelinhas. se encontrar a estrela ideal, talvez crie um jpg para o efeito. acho que apanhei os last days of disco há muitos anos no hollywood, mas não me lembro do filme integralmente, por isso devo ter desistido dele, principalmente por não o ter apanhado no início. recomendas?

2/28/2012 4:18 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

não achei o vilão nada parecido com o spielberg, mas com o richard e. grant, pelo que vi o richard e. grant durante todo o filme. foste tu que achaste parecido com o spielberg ou foi mesmo intencional? lol

eu acho que o tintin devia ter sido considerado animação, porque eu olho para a imagem e não vejo pessoas, vejo bonecos pintados. aliás, o cinema são imagens animadas - moving pictures. não diz que têm de ser desenhadas.

por exemplo, o wallace e gromit ganharam o oscar de animação em 2005 e são marionetas de barro. o estranho mundo de jack é animação e também é com marionetas, mas foi candidato a melhores efeitos visuais porque a animação só teve direito a Oscar aquando do shreck vs monsters inc (2002).

ainda mais excepcional, a bela e o monstro foi nomeado para melhor filme em 1992, a concorrer com os filmes de carne e osso.

2/28/2012 4:29 PM  
Blogger ArmPauloFer said...

Sim, se recomendo. E sabe melhor ver hoje esse filme que talvez na época. É os actores ainda jovens a darem boas cartas, a história boa, os diálogos fortes e implacáveis (especialmente os diálogos da Kate, que é uma bitch daquelas com a mania que sabe tudo e que é boa).
na minha review ainda meti lá algumas frases... todas da Kate.

A prequela do The Thing não vi ainda... who cares?

Quanto ás classificações... ok. mas gosto como eles classificam e assim dá para distanciar melhor entre mau até bom (por ter vários níveis de escolha). Estrelas nunca achei graça... mas numa tabela de 5 estrelas, considero cada uma valer 2 pontos... logo 3/5 = 6/10 e por aí fora.
Tá não te aborreço mais com esta questão...

2/28/2012 4:30 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

não aborreces nada. quando alguém me pergunta quantas estrelas acho que um filme merece, digo logo. mas não me é intuitivo e por isso não o faço no blog. além do que acho que o público vai logo atrás da classificação em vez de ler a apreciação e não quer dar-lhe esse facilitismo :)

o the thing é mesmo uma questão de who cares.

days of disco a caminho. sim, se há coisa de que me lembro é da kate fazer de bitch.

2/28/2012 4:39 PM  
Blogger ArmPauloFer said...

Mesmo assim experimenta ler a minha review que fiz ao Last Days Of Disco... e ler mais alguma coisa pela net. Eu gostei bastante do filme. A Chloe Sevigny mais uma vez, e tão nova, irrepreensível numa personagem que tem de aturar a bitch constantemente.
E a banda sonora de canções Disco são um must (tenho o álbum e é quase uma colectânea do melhor da época).

Espreita melhor, o trailer e tal... boa sorte. Se não gostares... como és mais analitico a apreciar os filmes... olha, paciência e não me venhas bater. Eheheheh!
http://armpauloferreira.blogspot.com/2011/10/cine-critica-last-days-of-disco-1998.html

2/28/2012 4:49 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

já li o teu texto, depois logo se vê se fico perto do teu 7,5 :)

2/28/2012 4:58 PM  

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

hit tracker