Segunda-feira, Fevereiro 20, 2012

Um Método Perigoso, de David Cronenberg

O livro Um Método Muito Perigoso, de John Kerr, publicado em 1993, foi adaptado ao teatro e agora ao cinema, com texto de Christopher Hampton (Ligações Perigosas e Expiação), e segue o caso de Sabina Spielrein, paciente de Carl Jung, criador da psicologia analítica, e a relação tempestiva de ambos com Sigmund Freud, pai da psicanálise.
Jung procurou aconselhamento em Freud no tratamento de Spielrein, que parecia estar a melhorar dos seus distúrbios sexuais masoquistas pelo método analítico e algumas sessões de açoite, prática que não  funcionava particularmente para o próprio Jung, a fracassar nos seus esforços de exercício de repressão mental em relação à atracção que sentia pela paciente, sendo ele casado. Os dois intelectuais passaram a corresponder-se e, eventualmente, a colaborar juntos, antes de discordarem na orientação da psicanálise e separarem-se. Spielrein foi curada e tornou-se uma das primeiras psicólogas a abraçar as teorias de Freud, não sem influências de Jung.
Há muito que não se assistia a um Cronenberg tão pouco empenhado. Em vez da visceralidade que o tema pedia e à qual o cineasta canadiano nos habituou, envergonha-se e debita ideias sobre trauma, sexo, coibição e libertinagem, de forma tão reprimida e desinfectada como se tivesse medo de abrir a caixa de Pandora. Impera a cor branca, as roupas muito alinhadas, a austeridade arquitectónica e o vazio emocional, apesar dos tiques e esgares de Keira Knightley (que trazem à memória a banda desenhada Clic, de Milo Manara). Viggo Mortensen trabalha com Cronenberg pela terceira vez consecutiva (depois de Uma História de Violência e de Eastern Promisses) e Michael Fassbender, merecidamente, tem sido cobiçado em todos os quadrantes. Nenhum dos dois está memorável, mas o esforço parece ter sido todo nesse sentido, pelo que o objectivo foi conseguido.
A Dangerous Method 2011

0 Comments:

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

hit tracker