Os Três Mosqueteiros, de W.S. Anderson

Escrita em 1844 por Alexandre Dumas pai, esta história de capa e espada tem sido adaptada a todas as artes, com a sétima a enquadrá-la desde o cinema mudo. A mais recente chega em 3D, artifício que se destaca individualmente e começa a ganhar má fama, mas que está longe de limitar esta versão. Com efeito, a abordagem é surrealmente moderna, brincalhona e pouco veneranda, com a capacidade de trazer à superfície todo o espírito da high adventure de outros tempos.
Face ao original, a adaptação é simplista, mas não simplória. Em vez de um drama intrincado, carregado de tragédia e negrume (por exemplo, o romance fazia Milady de Winter, ex-mulher do mosqueteiro Athos, assassinar Constança, namorada de D’Artagnan, e ser decapitada pelo crime), assiste-se a leveza e boa disposição (ambas respiram ainda, durante os créditos finais), sem que chegue a recear-se pelos heróis, mas é mesmo assim que se constrói um filme para toda a família. A lembrar a fórmula de Piratas das Caraíbas, a acção é pautada por gags e muito humor, esgrima coreografada e conta ainda com a adição de navios voadores, uma delícia que recorda a fantasia de Terry Gilliam As Aventuras do Barão Munchausen (1988).
Andrew Davies, que adaptou para a BBC Orgulho e Preconceito, Sensibilidade e Bom Senso, Vanity Fair, House of Cards e colaborou nos guiões de ambas Bridget Jones, presta um bom serviço a Dumas, com esta irreverente lufada de ar fresco. Paul W.S. Anderson, o homem por trás da adaptação dos videojogos Mortal Kombat (1995) e Resident Evil (2002), do reboot de Alien vs Predador (2004) e do remake de Corrida Mortal (2008) filma.
O elenco é de respeito: Matthew Macfadyen, Luke Evans e Rays Stevenson são os mosqueteiros, Logan Lerman (Percy Jackson em duas adaptações)é D’Artagnan. Contra eles, aventuram-se Milla Jovovich (esposa do realizador e Resident Evil de saias), Orlando Bloom (o fracasso das Caraíbas), Mads Mikkelsen (com venda no olho que sangrava em Casino Royale ) e Christoph Waltz (de nazi a cardeal vai uma sotaina). A suavidade feminina fica garantida com Gabriella Wilde e Juno Temple.
The Three Musketeers 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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