Sábado, Fevereiro 11, 2012

O Deus da Carnificina, de Roman Polanski

Uma agressão, duas crianças, quatro encarregados de educação. Quando estala o verniz da civilidade, está aberto o caminho ao Deus da Carnificina. Baseado na peça de teatro homónima de Yasmina Reza, de 2009, o palco aqui é o apartamento dos pais da criança agredida, onde os pais de ambas discutem como remediar a situação. Primeiro, são todos muito civilizados e compreensivos, mas rapidamente a conversa, com álcool e vomitado à mistura, descambam em conflito. Contudo, os personagens não ultrapassam a caricatura e as discussões ficam-se pelo sofismo. Começam calmos, ficam nervosos, tentam compensar mas acabam em histerismo. A sobre-inquinar a credibilidade do guião, o casal convidado tenta despedir-se, não uma, mas duas vezes, chegando ao elevador, mas sendo arrastado novamente para dentro do apartamento, para mais discussão, o que dificilmente aconteceria numa situação real. Da primeira vez, o inacreditável argumento para regressarem é tomarem um segundo café, quando tinham acabado de recolher-se as chávenas do anterior.
Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly fazem o que podem, mas não há nada a fazer. Os diálogos não são convincentes e a câmara de Polanki descuida-se a seguir as moscas. As mudanças de humor são demasiado apressadas para  tão curto tempo de antena, ocorrendo apenas porque estavam na ementa. A única coisa com piada é o intro e o outro, onde se assiste, ao longe, no jardim, à agressão e às crianças a fazerem as pazes, à sua maneira, sem a necessidade da intervenção de adultos. 
Carnage 2011

2 Comments:

Blogger Sam said...

"Os diálogos não são convincentes"... não concordo muito :) até acho que é o melhor do filme, a par da interpretação do Waltz.

Por outro lado, estamos de acordo com o quão pouco "cinemático" é este filme, Polanski já demonstrou melhor no que toca a adaptações de peças de teatro.

Abraço.

2/13/2012 12:04 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

quando digo que os diálogos não convencem, refiro-me à sequência de eventos que estes provocam. por exemplo, o advogado ao telefone com a farmacêutica, deviaa ter provocado uma reacção mais acesa por parte da indignada jodie foster, a questão "africana" também. o facto dele estar sempre a atender o telemóvel acaba por tornar-se um comic relief, em vez de um agregar de tensão. os diálogos, se formos a ver bem, são muito irrelevantes, é muita semântica, porque só falam na agressão das crianças e concordam que está errado, mas a partir daí começam as pequenas provocações, provocadas pela guionista, porque sem essa intervenção externa, "divina", o assunto nunca descambava. a cena do vomitado é patética, começarem a beber logo pela manhã é absurdo, terem voltado para dentro da casa ao fim de 15 minutos, quando já estavam no elevador, com o argumento de tomarem um segundo café, foi descabida, enfim...

e que se trata de uma obra muito pouco cinematográfica, sim, isso é o mais triste.

2/13/2012 6:41 AM  

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