A Toupeira, de Tomas Alfredson
A brigada do reumático, se alguma vez existiu uma, na conspiração mais estática de que há memória. É certo que John LeCarré, especialista em histórias de espionagem (O Alfaiate do Panamá), não é Robert Ludlum, especialista em espionagem sem história (A trilogia de Bourne), mas isso não é justificação para Tomas Alfredson (Deixa-me Entrar) lhe imprimir o ritmo da confecção de uma peça de tricô. São mais de duas horas de actores de aspecto mal conservado, a olharem para o vazio e a interrogarem-se se terão apagado o gás em casa, com uma marcante tendência para a fragilidade capilar, evidência de Londres não ter bons champôs no início da década de 1970, num tal desnovelo que até quem tem qualidade folicular teve de desvalorizá-la, por baixo de penteados pouco abonatórios.
A Toupeira é a adaptação de um romance que já foi adaptado a série televisiva com a duração de sete horas (1979), que os argumentistas Bridget O’Connor e Peter Straughan cortaram e colaram de forma tão confusa e condensada que torna difícil associar os nomes às caras e todo o castelo de cartas cai, por não se saber quais os naipes em trânsito.
O Director Geral dos Serviços Secretos Britânicos suspeita da existência de um agente duplo ao mais alto nível, acabando por ser um dos suspeitos, entretanto na reforma, que regressa para desmascará-lo. Claro que esse investigador é George Smiley e quem conhecer o universo de LeCarré sabe que este espião é recorrente na obra do escritor (A Gente de Smiley), pelo que não pode ser o culpado. Restam quatro. Conspiração constipada, a passo de caracol, muito melancólica e sem nunca chegar a arrancar. Ficam os nomes de algumas estrelas que o filme deixou baças: Gary Oldman, Colin Firth, John Hurt, Toby Jones, Mark Strong e Benedict Cumberbatch. O pior de todos é Tom Hardy; quem viu Bronson (2009) ou Combate de Irmãos (2011), ainda mais lamentará a sua prestação, ou melhor, falta dela.
Tinker, Tailor, Soldier Spy 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo


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