Submarine, de Richard Ayoade
Por terra e por mar, o que não falta são jovens à procura de rumo, bombardeados por hormonas e relações sociais e familiares que constituem obstáculos à felicidade. O seu percursor é Adrien Mole, cujos diários secretos foram publicados por Sue Townsend e disseminados pelas ondas da rádio e da caixa mágica do século XX.
O segredo deste género é encontrar o tom certo para abordá-lo. Joe Dunthorne lançou o Submarino num mar de letras em 2008 e Richard Ayoade saltou para o leme e lançou os torpedos face ao audiovisual. Em vez de dar à costa, o filme consegue manter-se firme rumo ao fio do horizonte.
Criatura socialmente desajustada, Oliver Tate é um adolescente típico, mas disposto a dar o seu contributo para manter-se à tona no esquema hierárquico das coisas, em casa e na escola. Isso pode obrigá-lo a tomar atitudes menos dignas, como ser bully para colegas em situação ainda pior, só para impressionar uma miúda, baralhar a agenda dos pais para ter a casa para si na noite estipulada para perda de virgindade e, missão mais importante e espinhosa, evitar que os progenitores se separem, já que o pai parece deprimido e a mãe interessada num novo vizinho, que por coincidência é um antigo namorado.
O elenco é curioso e vencedor: Craig Roberts foi um achado como o protagonista, Yasmin Paige é a namorada anafada e pirómana, Sally Hawkins e Noah Taylor os pais e Paddy Considine o vizinho. O periscópio está atento a todos eles e faz lembrar Cashback (2006), a estreia de Sean Ellis.
Submarine 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo


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