Terça-feira, Janeiro 24, 2012

The River Why, de Matthew Leutwyler

O romance homónimo de David James Duncan, publicado em 1983, conta a história de Gus, filho de dois pescadores elitistas, que se muda intempestivamente para uma cabana junto ao rio, para dedicar-se à pesca sem distracções, e acaba por crescer enquanto pessoa ao relacionar-se com a simplicidade dos vizinhos e uma bela pescadora ambientalista. Agora adaptado ao cinema, o filme assistiu à exigência judicial do escritor de que o seu nome fosse retirado da ficha técnica, com sentença favorável. 
Assim como a pesca, o filme exige muita paciência, especialmente quando os personagens não fazem mais do que usarem cana de linha no rio e filosofarem sobre a dificuldade que é pescarem com a cana que têm nas calças. É questionada a existência de Deus entre trivialidades e eleva-se ao divino a discussão entre o isco feito de moscas ou de minhocas. A colar a narrativa solta e estéril com uma narração interminável por parte do protagonista, fica apenas o pretensiosismo do tamanho de um truta.
Resumo do filme: os pais vivem a discutir e o irmão mais novo odeia água. Gus só pensa em pescar e o fim do liceu encontra-o sem objectivos na vida para além desse. Uma noite, discute com os pais, a mãe dá-lhe um soco na cara e ele arranca a toalha da mesa, naqueles passes de magia em que a loiça permanece em cima no tampo, pelo que é necessária uma medida desesperada das mãos para esvaziar a superfície. Na manhã seguinte, sai de casa e passa os seus dias sozinho a pescar. No rio, encontra um cadáver, que o faz conhecer alguém que lhe dá boleia e tem um cão chamado Descartes. É entrevistado por um jornalista e dá dicas de pesca a curiosos. Como sustento, vende anzóis manufacturados na loja próxima e come o que pesca. Conhece uma rapariga que é boa pescadora e gosta de apanhar sol em pelota, não têm a menor química mas tinha de haver romance. Só porque leram o artigo de jornal sobre o filho, os pais procuram-no para o reencontro lacrimal. Cai o pano. A loiça já estava no chão.
Talvez convencidos de que a adaptação do romance valeria a pena, William Hurt e Kathleen Quinlan aceitaram o papel de progenitores de Gus. Zach Gilford e Amber Heard são o par artificial e Alex Hurt, filho de William, aparece num cameo em que interpreta o pai em novo: têm a mesma expressão e sorriso, deviam usar a semelhança mais vezes. Matthew Leutwyler, realizador e argumentista de meia dúzia de filmes de terror de talento duvidoso (Unearthed, Dead and Breakfast e Road Kill), não sabe o que fazer de uma história sem sangue. Em vez de inspiradora, esta não encontra forma de fluir ou fazer interessar pelos personagens unidimensionais. Salva-se a excelente direcção de fotografia nas cenas ao ar livre.
The River Why 2010

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