Os Idos de Março, de George Clooney
A razão que terá assistido a George Clooney para adaptar a peça Farragut North de Beau Willimon, baseado nas Primárias Democráticas de 2004, terá a ver com o tema subjacente ser o de que o poder corrompe, mas o guião convoluto é tudo menos explícito. Idos de Março é o nome do calendário romano associado ao 15 de Março, coincidentemente o dia do assassinato do Imperador Júlio César às mãos de um dos seus homens de confiança, Marcus Brutus. O facto de coincidir com a lua cheia não parece ter influência.
Depois de três quartos de hora a ilustrar o processo de influências e lobbyismo que minam a transparência da política, neste caso através uma campanha eleitoral, Os Idos de Março muda de barco e mina a sua própria concisão. Entra o cliché e nunca mais se liberta. É uma historieta de jogo sujo e de vingança, onde um idealista descobre que todos os estadistas têm telhados de vidro, até aquele para quem trabalhava e admirava.
George Clooney já foi um dos nomes mais sonantes de Hollywood, mas 17 anos passaram desde que começou a dar consultas de pediatria em Serviço de Urgências. Aumentou de peso para Syriana (2005) e perdeu-o a beber Nespresso amargo, ao ponto de parecer doente em O Americano (2010). Clooney tem-se interessado pela política na última década, expressando publicamente as suas ideias através de entrevistas, apoios e filmes. Depois de se estrear atrás das câmaras com Confissões de Uma Mente Perigosa (2002), deu seguimento a esse lado da carreira com Boa Noite e Boa Sorte (2005) e o actual Os Idos de Março, ambos a explorar a parte negra do jogo político. Trama de bastidores, Os Idos de Março é pouco original e dinâmico, perdendo até os mais indefectíveis quando o cliché se instala.
The Ides of March 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo
2 Comments:
O filme não nos mostra nada de novo dentro do que temos conhecimento sobre o mundo da política, talvez isso pudesse subtilmente ser disfarçado ou ganhasse mesmo outro fôlego se o realizador fosse daqueles mais experientes e politicamente incorrectos, é uma das minhas ideias no comentário no meu blogue a este filme. Nos Idos de Março acaba por ser como os políticos: promete muito (na primeira parte do filme), mas cumpre pouco (na segunda parte). Dada a grande influência de Clooney "the nespresso man" em Hollywood, não admira que o filme esteja bem posicionado nas nomeações dos Globos de Ouro e que nos Óscares (para variar, lol) venha a dar no mesmo...
Isabel, é mesmo um filme muito pobre. até meio, não sabia onde queriam chegar, depois de meio fiquei a saber que queriam chegar onde já ninguém se importa. parece o Poder Absoluto, do Clint Eastwood, em que o Presidente matou a amante e tentou limpar as provas.
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