Imortais, de Tarsen Singh
A Mitologia da Câmara Lenta pelas mãos de Tarsen Singh, realizador indiano com predilecção por guarda-roupas elaborados e total desinteresse por tudo o resto. Com curso de cinema numa Faculdade de Arte e Design, começou a carreira nos videoclips e eventualmente passou para o cinema, com A Cela (2000). Este é o seu terceiro filme.
Escrito por dois Parlapanides (Charley e Vlas), Imortais mistura deuses, titãs, Perseu e o Minotauro, carregando nos músculos e relaxando o cérebro. Pseudo-representação da mitologia grega, esperar-se-ia que, mesmo escrito em cima do joelho, favorecesse a acção, em vez de limitar-se a cobrir a fragilidade da história com cimento burro. “Pai, não desistas da Humanidade”, suplica a filha de Zeus, acabada de esquartejar por meia dúzia de titãs. Haja paciência.
Depois de uma luta nos céus entre deuses e titãs, os segundos foram derrotados e aprisionados num cubo por baixo de Monte Tártaro, mas o rei Hipério, humano de nascimento e negro de coração, declarou guerra à humanidade e decidiu libertar os titãs para o passo seguinte, o de desafiar os deuses. Estes ficam na deles, mas roem-se de vontade em intervir. Trava-os o juramento (a quem?) de não se intrometerem no caminho dos homens. Mas o guião é tão risível que é Zeus, o mais férreo respeitador da lei, quem se tem insurgido na vida de Perseus, um grego sem pai e muita destreza em batalha. Dá tudo para o torto, numa polpa de sangue digital em 3D, cenários ao vivo que não colam com os de CGI, uniformes que não vestem os actores, papeis que não se adequam aos personagens e um filme que não dá nada ao público.
Gladiador (2000) surpreendeu as bilheteiras e 300 (2007) repetiu a graça, mas os grandes armazéns de pronto a servir não têm tido a mesma sorte. Confronto de Titãs (2010), Conan (2011) ou Imortais (2011), venha o Diabo e escolha. Na TV, a série Spartacus teve algum sucesso, mas o actor não estava fadado a uma vida próspera. Ou longa.
Por último, algumas notas sobre verdadeira mitologia: Teseu é filho de Zeus e da princesa de Argos (no filme, é filho de uma plebeia e não conhece o pai – Zeus olha por ele, mas nunca se afirma seu pai, nem quando fala sobre ele com Atena, sua filha sem mãe – literalmente, Zeus teve-a sozinho). Hipólito, o filho de Teseu que aparece no final do filme, deveria ser filho dele e da rainha das Amazonas (Hipólita), não de uma oráculo grega. O rei Hipério é uma fabricação. O Minotauro, que no filme é um servo humano de Hipério, com uma máscara de arame parecida com a cabeça de um touro, é ancestralmente um monstro, filho da rainha de Creta e de um touro branco, que habita num labirinto criado por Dédalo, o arquitecto.
Quem criou todos os seres vivos da Terra, incluindo os seres humanos, foram Prometeu e o irmão Epimeteu, dois titãs, pelo que a representação dos titãs no filme como criaturas irracionais e que os deuses protegem a humanidade é falácia. Só para que conste, Prometeu roubou o fogo de Zeus para dar vida aos homens, que tentou construir com barro, e Zeus nunca lhe perdoou, porque o fogo deveria ser exclusivo dos céus. Se os humanos são superiores aos animais, é unicamente pelo fogo que foi usado neles por Prometeu. Por outras palavras, a Humanidade deve a sua origem aos titãs e não aos deuses. O filme, deve-o à miserável falta de imaginação e cultura que vinga em Hollywood.
Quem criou todos os seres vivos da Terra, incluindo os seres humanos, foram Prometeu e o irmão Epimeteu, dois titãs, pelo que a representação dos titãs no filme como criaturas irracionais e que os deuses protegem a humanidade é falácia. Só para que conste, Prometeu roubou o fogo de Zeus para dar vida aos homens, que tentou construir com barro, e Zeus nunca lhe perdoou, porque o fogo deveria ser exclusivo dos céus. Se os humanos são superiores aos animais, é unicamente pelo fogo que foi usado neles por Prometeu. Por outras palavras, a Humanidade deve a sua origem aos titãs e não aos deuses. O filme, deve-o à miserável falta de imaginação e cultura que vinga em Hollywood.
Immortals 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo


2 Comments:
É um filme para entreter e nisso cumpre. É sim demasiado plástico mas também só estava pronto para ver algo no visual "300" e para ver como se desenrrasca este realizador (de apurado visual mas artesanal) com acesso ao CGI e muito fundo verde... ah, e também pelo actor que vai fazer de superman.
Procurava entretenimento e tive! 6/10... foi fixe!
demasiado pretensioso e falso para cumprir qualquer objectivo honesto.
demasiado CGI para parecer verdadeiro.
demasiado pesado para ser entretenimento leve.
sim, também queria ver como se safava o Superman e achei que airosamente.
Gladiador e 300 são mil vezes superiores.
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