Sexta-feira, Dezembro 23, 2011

Uma Separação, de Asghar Farhadi

Dois anos depois de ter ganho o prémio de Melhor Realizador no Festival de Cinema de Berlim, o novo filme de Asghar Farhadi é o primeiro de sempre a ganhar três Ursos. O que não surpreende, porque este iraniano oferece novamente um drama intenso e absorvente. Através de uma situação mal explicada que acaba por ter consequências judiciais, Uma Separação promove o constante julgamento de pessoas, factos e atitudes, numa espiral de consequências, jogos de manipulação familiar, calúnias, mentiras e lágrimas.
O filme começa e acaba no tribunal, mas são mais as questões morais, sociais e religiosas que produzem o efeito bola-de-neve que tão emocionante torna o filme. Tudo começa com a separação de um casal: ela quer emigrar antes que o visto expire, ele quer ficar para trás para cuidar do pai com Alzheimer e não a autoriza a levar a filha adolescente. A trabalhar durante o dia, contrata uma ama para cuidar do pai, que lhe foi encaminhada pela ex-mulher. A ama traz consigo uma filha pela mão e outra no ventre, é acusada de maus tratos e de roubo, sente-se mal e aborta, acusa o patrão de homicídio do feto, mas com o que está realmente indignada é a acusação de ladra. A justiça é cega e o tribunal intolerante, o que começa mal dificilmente se endireita. No meio de inúmeras pressões e rasteiras sentimentais, a tormenta dá lugar à bonança. Quanto à questão do furto, fica ao critério de cada um se houve realmente acto criminoso e, nesse caso, quem foi o responsável.
Asghar Farhadi iniciou a carreira como argumentista e realizador de televisão, mas tem sido o cinema que lhe tem transportado o nome, merecidamente, pelo mundo. Este é o seu quinto filme e os três anteriores têm sido premiados internacionalmente, com Darbareye Elly (2009) a ser considerado uma obra-prima por diversos teoristas.
Jodaeiye Nader Az Simin 2011

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