Um Dia, de Lone Scherfig

Baseado no livro de David Nicholls, Um Dia é uma história de encontros e desencontros com data certa. Sempre no mesmo dia de calendário, todos os anos, é-nos dado o ponto de situação de dois personagens que sabemos que um dia terminarão juntos, só não sabemos quando. Há amizade e atracção entre ambos, mas a vida dá muitas voltas. 23 anos de voltas, no caso.

Realizado pela holandesa Lone Scherfig, premiada por Italiano Para Principiantes (2000) e por Wilbur Wants To Kill Himself (2002), cujo Uma Outra Educação foi candidato a três Óscares em 2009. Anne Hathaway e Jim Sturgess estrelam, e muito bem, esta fantasia, mas há limites para o quanto o cinéfilo aguenta ser uma mosca na parede em dias onde não acontece nada.

A ideia pode ter parecido engraçada, mas não passa de um artifício cénico que não chega a cumprir nenhum objectivo concreto. Porquê o dia 15 de Julho de cada ano, aconteça ou não algo que mereça ser contado? Uma história de amor tem de fluir e Um Dia é demasiado compactado e artificial para o efeito. Do final, ficam duas leituras alternativas: que o amor não tem de acontecer todo de uma vez, pode ser marinado sem pressa, e eventualmente manifestar-se-á, em toda a sua força; ou que é melhor ter pressa, porque nunca se sabe quanto resta para aproveitá-lo, quando finalmente acontece.

Depois da tragédia (sim, há quem julgue que as verdadeiras histórias de amor têm de acabar em lágrimas), regressa-se ao primeiro dia da relação, onde afinal não estava tudo dito; era preciso terminar numa nota positiva. Com a nova vaga de inesperados acidentes rodoviários (mecanismo iniciado

Fica uma lição de vida agridoce, que os americanos aprenderam e repetem desde que perderam Meg Ryan para uns toros de madeira em Cidade dos Anjos (1998), a aguada adaptação do opus de Wim Wenders. No fundo, não aquece nem arrefece.

One Day 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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