Puncture, de Adam e Mark Kassen

Já se sabe que a América corporativa é um monstro e que o capitalismo cego não olha a meios, mas a mensagem ainda precisa de alguma sensibilidade para passar. No advento do milénio, dois filmes tornaram-se ícones na iluminação desta gananciosa realidade, que soma e segue na sombra, enquanto cospe nas valas comuns que ajuda a encher. The Insider (1999) expunha as Tabaqueiras e Erin Brokovich (2000) a falta de segurança na produção energética da PG&E.

O tema tem estado dormente desde então e Puncture é apenas uma pedra no charco, mas com suficiente força para provocar réplicas. Uma pequena firma de advogados especializada em responsabilidade por danos descobre que o processo de uma enfermeira contaminada com HIV, por ter sido picada por uma agulha durante o serviço, não é um caso isolado, mas ascende a centenas de situações idênticas por ano, e que existe uma agulha com um dispositivo de segurança, que só por si evitaria que a situação se repetisse. Mas nada é feito nesse sentido.

Ao representar o negócio do inventor das agulhas seguras, os advogados descobrem que este não obtém investidores porque há duas poderosas empresas de fornecimento hospitalar que monopolizam o mercado, abastecendo praticamente todos os hospitais dos EUA, e elas têm contratos mais lucrativos com fabricantes de agulhas vulgares. Com as hipóteses de sucesso diminutas típicas de um processo

Há uma razão para Chris Evans ter sido escolhido para Capitão América (2011) e não é a sua musculatura, mas fazer-nos acreditar que tem o que é preciso para lutar pelo que está certo. Para além da honestidade na abordagem do tema, Puncture vale precisamente pela caracterização e empenho do actor. O mais discreto Mark Kassen, que interpreta o outro advogado da firma, é também co-realizador, no que pode ser considerado, no mínimo, um trabalho bem feito.

Puncture 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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