Segunda-feira, Dezembro 26, 2011

A Dívida, de John Madden

Remake do filme homónimo israelita de 2007, que não teve projecção internacional, A Dívida é uma história de espionagem cuja única mais valia é um twist, a meio, que contrasta com a informação veiculada no início. De resto, é perfeitamente olvidável, mas podia não o ter sido. A culpa recai principalmente nos ombros de John Madden, que desde A Paixão de Shakespeare (1998) se apagou como realizador. Este é o seu quarto filme desde então, mas a chama continua extinta.
O argumento é de Matthew Vaughn e Jane Goldman (Kick Ass, 2010 e X Men Primeira Classe, 2011) e de Peter Straughan (Homens Que Matam Cabras só com o Olhar, 2009 e A Toupeira, 2011), mas pelo resultado, mais valia ter sido reutilizado o original de Assaf Bernstein. As alterações, como a missão de extracção falhada, foram todas para pior. Também fica por explicar a necessidade e colocar seis actores de origem anglo-saxónica nos papéis de três personagens naturais do Médio Oriente.
Berlim Oriental, 1966, três agentes da Mossad capturam um ex-médico nazi, que devem fazer sair da cidade murada e apresentar a tribunal em Israel. A história segue os passos que precederam o rapto, o cativeiro do médico e interligam-no com o presente (1997), ocasião em que se torna urgente fazer a limpeza de uma mentira com trinta anos, que transformou os agentes em heróis. A opção pela não linearidade era necessária, mas os avanços e recuos estão longe de ser suaves, tornando irregular o percurso e dificultando o reconhecimento dos personagens nos actores que lhes estão destinados e compreender as suas acções (nomeadamente o suicídio de David). Uma questão ainda mais perene prende-se com o absurdo de uma agente secreta sem actividade sexual enganar um ginecologista, convencendo-o de que ela e o “marido” estão a tentar ter um filho (uma vagina em repouso não apresenta as abrasões do uso).
Helen Mirren tem gostado de adrenalina desde a brincadeira que foi RED (2010), mas é a única que aguenta a pressão. Tom Wilkinson e Ciarán Hinds foram escolhas erradas para o futuro de Marton Csokas e Sam Worthington e Sam Worthington é sempre uma escolha errada, porque o australiano tem presença, mas não sabe representar. Dói concluir que John Madden também não é o realizador adequado, porque A Paixão de Shakespeare (1998) é um filme tão inspirado, mas O Capitão Corelli (2001) e Alvo a Abater (2009) já lhe puxavam o tapete (Proof, 2005, não é mau de todo).
 The Debt 2011

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