O Assaltante, de Benjamin Heisenberg


Andreas Lust compõe o personagem de forma fria e enigmática, como um misantropo com dois objectivos na vida, o de assaltar bancos e de correr maratonas. Não são apresentadas justificações para nenhuma das compulsões e é deixada de fora a sua natureza assassina. Sempre que o verdadeiro Johann Kastenberger precisava de roubar um veículo para fugir de um local do crime, o condutor era abandonado sem vida, na valeta. O protagonista do filme deixa os condutores apeados, mas ilesos, provavelmente numa tentativa de estabelecer empatia para com este protagonista que, de outro modo, parece vazio de sentimentos humanos. A introdução de uma personagem feminina (interpretada por Franziska Weisz), inventada para o filme, tem também o intuito de criar uma ligação emocional, mas o tratamento superficial não ajuda. Ela trabalha para o Instituto de Reinserção Social e já se conheciam antes do início do filme, mas nunca se torna explícito de onde ou como acabam na mesma cama.

O Assaltante, tanto o filme como o personagem, pode ser descrito como frio, superficial e sem ligação emocional com o público. É aqui que peca uma história que até poderia ser interessante, tanto mais que se baseia em factos verídicos. E Johann Kastenberger, enquanto corredor de maratonas, até chegou a ganhar alguns títulos nacionais.

Der Rauber 2010
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