Terça-feira, Novembro 22, 2011

Chefes Horríveis, de Seth Gordon

A referência ao título que tem de ser feita é a de que Chefes Horríveis é um filme horrível, uma comédia frustrante pela sua falta de humor. Três empregados simpáticos e competentes debatem-se com chefes horríveis. À noite, no bar local, amargam a sua sina, até ao dia em que decidem que a sua sanidade reside na morte dos respectivos chefes. Para evitar serem implicados nesse acto vingativo, precisam de um plano, e claro que contratarem um assassino através das páginas amarelas é a primeira decisão estúpida, até um ex-recluso lhes apontar o caminho que qualquer fã de Hitchcock sabia que eventualmente seria escolhido: não matarem cada um o seu patrão, mas o de um dos amigos. Sim, porque O Desconhecido do Norte Expresso já anda aí desde 1951, tendo inclusivamente guião do consagrado escritor de policiais negros Raymond Chandler (autor do detective Philip Marlowe).

Danny DeVito já partira desse pressuposto na louca comédia Atira A Mamã Do Comboio (1987), que é mencionada por um dos personagens de Chefes Horríveis. Bom, os três heróis passam a ter um objectivo e a aparvalhar maneiras de concretizá-lo, mas o filme erra o alvo a cada peripécia. Primeiro, esforça-se demasiado por mostrá-los bonzinhos e os patrões mauzinhos (o diminutivo foi aplicado por mesquinhez), de maneira a que o público torça pelos primeiros e contra os segundos, mas nem cria empatia nem ódios no público. O que começa como uma engraçada curiosidade descarrila para a estupidez irrecuperável. A caracterização dos chefes Colin Farrell e Jennifer Aniston é ousada, mas Jason Bateman, Chalie Day, Jason Sudeikis e Kevin Spacey estão iguais a si próprios. Seth Gordon é o realizador do cómico documentário The King of Kong (2007) e co-criador da série Breaking In (2011), mas aqui devia ter agradecido, mas não, obrigado.

Horrible Bosses 2011

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