United, de James Strong
Rigor britânico na reconstituição dos momentos dramáticos que a equipa Manchester United enfrentou entre 1956 e 1958, quando somou às vitórias em campo a perda de oito jogadores num acidente de avião em Munique.

Telefilme da BBC pelas mãos de James Strong, com extensa experiência em séries televisivas e um orçamento de dois milhões de libras. A realização é segura e fluida, a direcção de fotografia irrepreensível e a banda sonora de Clint Mansell, a compor para a televisão pela primeira vez, pungente. O maior mérito o filme é o de funcionar como um emocionante e tridimensional postal ilustrado de época, ao mesmo tempo que o guião de Chris Chibnall documenta a tragédia, o luto e a recuperação da equipa de futebol e da respectiva comunidade, puxando ao sentimento sem ser piegas e à coragem sem ser beligerante.

Diz quem está mais familiarizado com o backstage da época que Alan Hardaker, administrador da Liga de Futebol inglesa, apresentado como prepotente e precipitador dos eventos fatais (ao não admitir o adiamento de um jogo que obrigou a fretar a avioneta malograda) não passou de um bode expiatório, mas é curiosa a comparação à manipulação de Jean-Marie Balestre sobre a FIA, no documentário Senna (2011), que provocou a morte do piloto Aysrton Senna. United conta com as participações de David Tennant (o décimo Dr Who) e com Dougray Scott.

United 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo

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