Paper Man, de Kieran and Michele Mulroney
Drama com laivos cómicos sobre um quarentão deprimido que se muda para uma pequena localidade costeira, com o intuito de escrever o seu segundo romance, mas não consegue passar da primeira frase, porque não atina com o nome do protagonista. Aí, desenvolve laços de amizade com uma adolescente e aos fins-de-semana recebe a visita da esposa. Durante o resto do tempo, a sua companhia é o Capitão Excelente, amigo imaginário que não o larga desde a infância.

A história é simpática, mas não especialmente calorosa, e enguiça na superficialidade e incoerência dos seus pontos base: uma adolescente que aceita fazer babysitting para um desconhecido, mesmo depois de saber que este não tem filhos; a amizade daí decorrente; não se saber a fonte de rendimento do protagonista, já cinquentão, e de que apenas se conhece a publicação de um livro fracassado; a relação à distância com a esposa; o facto de ter um amigo imaginário numa idade tão avançada.

Ao esticar a credibilidade até quase romper o elástico, Kieran and Michele Mulroney, que aqui se estreiam na esferográfica e na câmara, passam uma rasteira a si próprios. A ver vamos como se saem no actual projecto, o argumento de Sherlock Holmes 2 (2011). Há muito que Jeff Daniels está typecasted neste género de personagens e a meia idade também não tem ajuda as escolhas de Lisa Kudrow. Emma Stone está tão apagada como tudo o resto.

Paper Man, 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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