Quinta-feira, Outubro 06, 2011

O Profissional, de Georges Lautner

Depois de ter sido o Humphrey Bogart francês durante o período da Nouvelle Vague, graças a Jean-Luc Goddard e Jean-Pierre Mellville, os franceses tentaram fazer de Jean-Paul Belmondo o seu Charles Bronson, mas apenas conseguiram um Burt Reynolds. Uma adolescência dedicada ao boxe amador dava-lhe o porte, mas não o carisma. Na década de 1970, alimentou-se de papéis de duro à americana (O Golpe, 1971, Peur Sur La Ville, 1975, L’Alpagueur, 1976), mas a década seguinte iria ser de declínio.

O Profissional (1981) marca a terceira colaboração de Belmondo com o realizador Georges Lautner e Polícia ou Ladrão (1979) ainda lhes trazia boas lembranças. Contudo, O Profissional, adaptação do romance de Patrick Alexander, exigia sangue frio e precisão na adaptação e interpretação, mas encontrou o protagonista mais virado para o bon vivant de O Irresistível Aventureiro (1980). Assim, apesar de ser claro que o actor se divertiu nas cenas fisicamente mais exigentes (era característica sua não ser substituído por duplos), permanece a dúvida quanto a ter percebido se o seu personagem era sério ou cómico. Entre o profissional do título e o amadorismo da produção, ficam inúmeras pontas soltas e escolhas infelizes.

Um agente dos Serviços Secretos franceses, com a missão de matar um déspota africano, é traído pelo executivo e feito prisioneiro. Evade-se dois anos depois, regressando a Paris para vingar-se dos responsáveis. Clint Eastwood comia guiões destes ao pequeno-almoço, com o cano do revólver 44 Magnum a mexer o café, mas os franceses quiseram juntar leveza e humor onde não carecia. A intriga, que não precisava de muito para funcionar, acaba de difícil digestão. Em vez de ser implacável a castigar, o operacional distrai-se num gato-e-rato com aqueles que conspiram contra si, ao ponto de deixar a própria mulher sofrer nas mãos daqueles que uma bala certeira teria despachado atempadamente.

Neste filme facilmente olvidável pelo tempo e pela incompetência intrínseca, a bela Marie-Christine Descouard é a única presença que fica na retina. Podia falar-se de Chi Mai, a música que Ennio Morricone não compôs para cinema mas acabou em filmes, séries televisivas e um anúncio de comida para animais domésticos, mas esta é tão desajustada à temática do filme que até dói. Enfim, foi insistência do próprio Jean-paul Belmondo.

Le professionnel 1981

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