Jonah Hex, de Jimmy Hayward

Com argumento de Neveldine & Taylor, a dupla por trás da loucura de Crank – Veneno no Sangue (2006) e Crank – Alta Voltagem (2009), Jonah Hex baseia-se nos comics de John Albano para a DC Comics desde 1972, cujo protagonista é um caçador de recompensas do velho oeste. O personagem nunca teve poderes sobrenaturais, mas lidou com super-heróis do presente e chegou a ser transportado para um futuro pós-apocalíptico.

A adaptação cinematográfica situa-se a meio termo entre Wild Wild West (1999) e Blueberry (2004), com uma pitada de Darkman – Vingança Sem Rosto (1990) e O Sombra (1994), o que são liberdades excessivas, mas outra coisa não se esperaria dos envolvidos. A gritar Acção está Jimmy Hayward, pela primeira vez a ser ouvido pelos actores, experiência nova para um animador da Pixar e da Disney, co-realizador de Horton e o Mundo dos Quem (2008).

Com interpretações de Josh Brolin, John Malkovich, Megan Fox e Michael Fassbender, o defeito de Jonah Hex está em não atingir o seu potencial. A aventura é fluida, tem garra e ritmo, mas o bravado não chega realmente a compensar, como se o orçamento tivesse ficado aquém da imaginação. História de vingança com um paladino másculo e uma heroína com cintura de vespa, a braços com um vilão que tem centenas de John Malkovichs na cabeça e aquele que viria a tornar-se Magneto.

O filme foi espezinhado pelo público e pela crítica desde o primeiro momento, pelo que carece distinguir alguns passos entre a banda desenhada e o filme: Hex nunca teve o poder de ressuscitar cadáveres nem resiste à morte através da libertação de corvos pela boca, nunca teve armas sofisticadas como bestas que lançam dinamite e lhe são fornecidas por uma espécie de Q negro, e a personagem Lilah, ou Tallulah Black, é recorrente nas histórias de Hex e não uma mera prostituta que funciona como interesse romântico. Estes são alguns dos pontos que fazem descarrilar o filme, que podia perfeitamente ter sido um western sujo e duro, em vez de ter um arqui-inimigo com avançadíssimo poder de fogo e um plano maquiavélico de matar o presidente dos EUA. Ainda assim, a leveza da narrativa e o tratamento camp permitem que, entre os prós e os contras, o resultado final seja funcional e divertido.

Jonah Hex 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
0 Comments:
Enviar um comentário
Links to this post:
Criar uma hiperligação
<< Home