Quarta-feira, Outubro 19, 2011

Freerunner, de Lawrence Silverstein

Este é o filme para Sean Faris perder os últimos fãs que pudesse ter em carteira. Alguns podiam acompanhá-lo desde a série de estreia, Life As We Know It (2004), ou só desde o seu filme de artes marciais Never Back Down (2008), mas seguramente que ninguém irá interessar-se pelo actor depois deste Freerunner.

O parkour (free running em inglês), ou arte da deslocação, foi introduzido no cinema por Luc Besson em 2000, numa cena de perseguição do filme Táxi 2, e com mais proeminência em Yamakazi (2001), Bairro 13 (2004), Casino Royale (2006) e Bourne Ultimatum (2007). Enquanto desporto radical, foi criado por David Belle e Sebastien Foucan em 1997, fundadores do grupo Yamakazi, que viriam a separar-se por desentendimentos financeiros e até quanto à própria definição do conceito de parkour. Desde 2007 que o portal Parkour.net se manifesta contra as competições, que desvirtuam a natureza de desenvolvimento físico e moral do atleta. As competições são marcadas pela agressividade e pela ganância, dois motores frontalmente opostos à filosofia parkour.

Freerunner começa logo por cometer este pecado mortal, assenta numa competição de praticantes de parkour por dinheiro. E fundiu essa ideia à dos torneios até à morte típicos dos filmes de artes marciais e ainda a das coleiras explosivas como motivação. As provas são filmadas e as imagens disseminadas pela Internet e seguidas em livestream por computador e telemóvel. É só lembrar Battle Royale (2000), Os Condenados (2007), Corrida Mortal (2008) e O Torneio (2009). Cabe ainda menção a Tokyo Drift (2006) pela estreia dos telemóveis e a O Colar da Morte (1991), que inventou as coleiras explosivas.

Portanto, o que temos é um grupo de praticantes de parkour, que competem num torneio para apostadores, e que dão por si com coleiras explosivas e uma prova mortal. Só o primeiro ficará com a cabeça no lugar quando o cronómetro bater os 60 minutos. Da mesma forma que se espera ver artes marciais num filme de artes marciais, quem assiste a Freerunners quer deleitar-se com movimentos de parkour e que a história seja tão secundária que poderia fazer parte do cenário. Infelizmente, não é essa a oferta deste filme. Uma montagem caótica e cheia de close ups drena todo o espectáculo do desporto radical, personagens subdesenvolvidos garantem a falta de interesse por quem vive ou morre e a trama policial (quem é o organizador do torneio das coleiras) só atrapalha. Foram precisos cinco argumentistas para chegar aqui e não há um que se aproveite, especialmente o nulo Raymund Huber, co-argumentista do semelhante e igualmente vil Bangkok Adrenaline (2011).

Sean Faris está acabado. Enterrado em filmes deste calibre (faltava mencionar o vergonhoso O Rei dos Lutadores, 2010) e sem o ar de jovem Tom Cruise que o caracterizava quando começou, fica a sopinha de massa de cada vez que abre a boca e uma barba que só cresce na área do bigode e da pêra, fazendo-o parecer um rufia chicano de terceira categoria. O mau corte de cabelo não ajuda. Como se isso não bastasse, nem sequer é ele quem corre e salta, mas o duplo Shane Daniels, filho do veterano actor de artes marciais Gary Daniels.

Freerunner 2011

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