Terça-feira, Setembro 06, 2011

Velocidade Perigosa 5, de Justin Lin

Para máxima velocidade, a quinta é a mudança certa. Justin Lin assegura a realização de Rápidos e Furiosos desde a terceira (Tokyo Drift, 2006) e apenas derrapou ligeiramente em quarta (2009). Na sua melhor forma estão também o omnipresente Vin Diesel e o estreante Dwayne Johnson, com Paul Walker e Jordana Brewster praticamente a fazerem parte do cenário (ainda que Brewster seja garantia de um belo cenário).

Fast Five é igualmente uma reunião de antigos alunos, com diversos actores da série a marcarem presença. Matt Schuze regressa do primeiro filme, Tyrese Gibson (que já tinha trabalhado com Justin Lin em Annapolis, 2006) e Ludacris do segundo, Sung Khang do terceiro e Gal Gadot do quarto. Pós créditos, há ainda uma cena que pisca o olho a um sexto capítulo, com Eva Mendes (do segundo) e uma foto de Michelle Rodriguez (do primeiro), Dwayne Johnson (do quinto) ainda a bordo.

Há máquinas bem oleadas e o Rio de Janeiro um destino de férias de eleição, mesmo quando as suas paisagens, tirando alguns marcos esporádicos, foram filmadas em Porto Rico (incluindo favelas), por causa dos incentivos fiscais. Mais ofensivo do que filmar o Rio fora do Brasil é todos os personagens brasileiros serem interpretados por actores estrangeiros: o segundo português melhor conhecido na América, Joaquim de Almeida (Daniela Ruah derrubou-o do pódio), volta a fazer de gangster (a cara de borrachão não dá para mais), a madrilena Elsa Pataky (só diz em português a palavra favela, porque no si mova é, na melhor das hipóteses, portinhol) e o norte-americano Michael Irby. A panamiana Jordana Brewster viveu no Brasil dos seis aos dez anos de idade e o seu português com sotaque brasileiro é muito melhor que o deles (espanta que não lhe tenham dado mais deixas na nossa língua).

Sintetizando, Velocidade Perigosa 5 é da velha guarda. Os homens são fortes, as mulheres bonitas e a acção bombástica, dispensando o estardalhaço CGI que nunca convence totalmente, em troca de realismo puro e duro, e tal é o número de veículos que sofrem danos colaterais na cena climática do roubo que é impossível não recordar Speed (1994), um dos melhores filmes de sempre a fazerem jus ao título. Dwayne Johnson, The Rock para os fãs da WWE, não podia ter sido melhor aquisição. Vin Diesel continua a ser o herói, mas Johnson é uma poderosa bigorna de testosterona, o único wrestler a fazer a transição incontestável para a sétima arte e a manter-se na crista até ao tentar a comédia. Os músculos de Tyrese Gibson ficam tão enfezados entre estes dois pilares que ninguém lhe dá a menor importância. Infelizmente para Paul Walker, o guião também o deixa um bocado na cauda, mas o actor lá vai conseguindo fazer funcionar o seu ar gaiato, ainda que lateralmente.

Chris Morgan é o argumentista da série desde o terceiro tomo, aquele que se desviava dos outros até lhes perder o rasto. Apesar de Toretto e O’Conner terem feito arrancar a saga, estavam ausentes (tirando um cameo de Vin Diesel no final, inútil para a trama), mas a realização de Justin Lin garantiu que os carros fossem os verdadeiros protagonistas e o público deixou-se conduzir. Morgan voltou à base no quarto capítulo, mas o quinto é um grande passo em frente. Não interessa que os personagens pareçam de cartão ou o vilão brasileiro uma anedota, o valor da peça está no ensemble, no trabalho em equipa e no entrosamento entre personagens e actores. Há acção, humor e sentimento, e se alguém acha que sairá frustrado do conflito entre Diesel e Johnson, terá uma boa surpresa. O clímax, com o roubo a alta velocidade de um cofre gigante, retirado à força da parede da sede da Polícia Federal do Rio, é electrizante. Mais magnético só se… não, está no ponto.

Falta mencionar um dos responsáveis pelo sucesso de Velocidade Perigosa 5: Brian Tyler, o compositor de Justin Lin desde Annapolis, a assinar as partituras de Velocidade Furiosa desde o terceiro, mas já para o original compusera música adicional bem melhor do que a de BT. Há ainda lugar para um erro de palmatória: o cofre do vilão abre com o scan da sua palma direita, mas a impressão que a equipa consegue e usa é a esquerda; como as palmas não são iguais, não teria funcionado.

Fast Five 2011

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