Velocidade Perigosa 5, de Justin Lin

Para máxima velocidade, a quinta é a mudança certa. Justin Lin assegura a realização de Rápidos e Furiosos desde a terceira (Tokyo Drift, 2006) e apenas derrapou ligeiramente em quarta (2009). Na sua melhor forma estão também o omnipresente Vin Diesel e o estreante Dwayne Johnson, com Paul Walker e Jordana Brewster praticamente a fazerem parte do cenário (ainda que Brewster seja garantia de um belo cenário).

Fast Five é igualmente uma reunião de antigos alunos, com diversos actores da série a marcarem presença. Matt Schuze regressa do primeiro filme, Tyrese Gibson (que já tinha trabalhado com Justin Lin em Annapolis, 2006) e Ludacris do segundo, Sung Khang do terceiro e Gal Gadot do quarto. Pós créditos, há ainda uma cena que pisca o olho a um sexto capítulo, com Eva Mendes (do segundo) e uma foto de Michelle Rodriguez (do primeiro), Dwayne Johnson (do quinto) ainda a bordo.

Há máquinas bem oleadas e o Rio de Janeiro um destino de férias de eleição, mesmo quando as suas paisagens, tirando alguns marcos esporádicos, foram filmadas

Sintetizando, Velocidade Perigosa 5 é da velha guarda. Os homens são fortes, as mulheres bonitas e a acção bombástica, dispensando o estardalhaço CGI que nunca convence totalmente, em troca de realismo puro e duro, e tal é o número de veículos que sofrem danos colaterais na cena climática do roubo que é impossível não recordar Speed (1994), um dos melhores filmes de sempre a fazerem jus ao título. Dwayne Johnson, The Rock para os fãs da WWE, não podia ter sido melhor aquisição. Vin Diesel continua a ser o herói, mas Johnson é uma poderosa bigorna de testosterona, o único wrestler a fazer a transição incontestável para a sétima arte e a manter-se na crista até ao tentar a comédia. Os músculos de Tyrese Gibson ficam tão enfezados entre estes dois pilares que ninguém lhe dá a menor importância. Infelizmente para Paul Walker, o guião também o deixa um bocado na cauda, mas o actor lá vai conseguindo fazer funcionar o seu ar gaiato, ainda que lateralmente.

Chris Morgan é o argumentista da série desde o terceiro tomo, aquele que se desviava dos outros até lhes perder o rasto. Apesar de Toretto e O’Conner terem feito arrancar a saga, estavam ausentes (tirando um cameo de Vin Diesel no final, inútil para a trama), mas a realização de Justin Lin garantiu que os carros fossem os verdadeiros protagonistas e o público deixou-se conduzir. Morgan voltou à base no quarto capítulo, mas o quinto é um grande passo

Falta mencionar um dos responsáveis pelo sucesso de Velocidade Perigosa 5: Brian Tyler, o compositor de Justin Lin desde Annapolis, a assinar as partituras de Velocidade Furiosa desde o terceiro, mas já para o original compusera música adicional bem melhor do que a de BT. Há ainda lugar para um erro de palmatória: o cofre do vilão abre com o scan da sua palma direita, mas a impressão que a equipa consegue e usa é a esquerda; como as palmas não são iguais, não teria funcionado.

Fast Five 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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