Super 8, de J. J. Abrams

Apesar do fiasco de Guerra dos Mundos (2005), Steven Spielberg nunca esqueceu que, mais do que um Tubarão (1975) e do que um arqueólogo (Salteadores da Arca Perdida, 1981), foram os Encontros Imediatos de Terceiro Grau (1980) com ETs (1982) que lhe lançaram a carreira. Este ano voltou à carga, produzindo a série Falling Skies e o filme Super 8. Depois do fiasco de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008), Spielberg voltou-se para a animação por computador (As Aventuras de Tintim, 2011) e deixou a realização de Super 8 para J.J. Abrams, criador das séries Alias e Lost e realizador de Missão Impossível (2005) e Star Trek (2010).

No ano em que a dupla britânica Simon Pegg e Nick Frost libertou o ET de Roswell por entre bafos de haxixe (Paul, 2011), Super 8 descarrilou uma criatura de design desfocado e vulgar (que esconde, envergonhadamente, o máximo de tempo possível), põe uns miúdos a correr histericamente de um lado para o outro, faz do exército o mau da fita e do xerife local o bom. Nesta deplorável confusão, fica ausente a diversão, a alegria, o suspense e o que quer que um filme de ficção científica infantil deva incluir. No final, o extraterrestre vai para casa, construindo uma nave espacial com cubos de esferovite e ferro-velho, os quais, aparentemente, se transformam em turbinas subsónicas em segundos.

A teoria de que menos é mais esbarra com a de blockbuster. Mas se, a dada altura, a urgência de ver o monstro se torna imperativa, nada nos prepara para a desilusão de semelhante polvo-aranha de cabeça insectóide, cruzamento entre o alien de Dia da Independência (1996) e um Transformer. De entre todos os actores, destaca-se a irmã mais nova de Dakota Fanning, Elle, eventualmente uma reencarnação de Drew Barrymore, com pozinhos de Erica Eleniak. Como anedota final, um dos miúdos reage da seguinte forma a uma explosão: “Meus, o que aconteceu à minha perna?” Bem, um tubarão não foi…

Super 8 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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