Terça-feira, Setembro 27, 2011

Lanterna Verde, de Martin Campbell

Martin Campbell será sempre recordado como o homem que reabilitou dois 007s (Pierce Brosnan em 1995 e Daniel Craig em 2006) e um Zorro (1998), mas a sua varinha de condão não funcionou na sequela (A Lenda do Zorro, 2005) e pareceu mesmo partida em Fora de Controlo (2010). Lanterna Verde, nem por isso um dos heróis mais populares da DC (normalmente fazia dupla com o Arqueiro Verde ou como membro da Liga de Justiça da América), precisava de toda a ajuda possível, mas a magia esgotou-se. O realizador tirou um craião verde e um amarelo da caixa de colorir e bateu-os um contra o outro, perguntando-se se isso seria o suficiente para fazer faísca. 200 milhões de dólares mais tarde, a resposta é não.

Há uma polícia intergaláctica a proteger o universo de forças más e cada guardião, chamado Lanterna Verde, vela por um perímetro; quando um deles morre, o seu anel procura um novo receptor, merecedor de prosseguir com heroísmo a mesma missão. Ao cair no planeta Terra, o anel de um Lanterna Verde moribundo (Abin Sur) acaba por ser entregue à última pessoa a vê-lo com vida, que se torna seu substituto. Trata-se de Hal Jordan, o primeiro Lanterna Verde humano, que não parece ter nenhuma das qualidades necessárias, mas o actor já tinha sido contratado. É preciso, então, fazer dele homem a tempo de evitar a destruição da Terra por Parallax, uma entidade maligna de cor amarela. Há igualmente um sub-enredo com um Dr. Hammond, cientista inferiorizado que, ao ser tocado pelo poder de Parallax, se torna mini-super-vilão, mesmo a jeito para Jordan poder treinar os seus poderes.

Agora, o anedótico das cores: o verde representa o poder da vontade e o amarelo o do medo e, como os Lanternas vêem a descobrir, o amarelo bate o verde. Mas o que é ter o poder da vontade? A vontade, per se, não é nada concreto; talvez que a vontade de meter medo devesse ser um verde amarelado? O amor, já agora, tem a cor púrpura, mas Whoopi Goldberg não entra no filme. E os argumentistas também não são fãs dos Beatles.

As diferenças em relação aos comics são berrantes: Hal Jordan (que é, cronologicamente, o segundo Lanterna Verde humano), no decorrer das edições em papel, acaba alvo de paranóia, destrói os Guardiões do Universo e transforma-se no vilão Parallax, antes de procurar redenção como o Espectro e, já a meio deste século, voltar a ser um Lanterna Verde. Actualmente, há quatro Lanternas Verdes humanos. No filme, Parallax é uma entidade separada de Jordan e que infectou Hammond, quando na BD não há relação entre Parallax e Hammond, nem este tem um passado comum com Jordan ou Carol Ferris, o interesse amoroso deste último.

Lanterna Verde tem uma história infantil e cheia de incoerências, como a de, num planeta cheio de seres humanos, o anel escolher um que ainda precisava de muito trabalho. Se este era o melhor candidato, o que diz isso da raça humana? Há, também, situações pouco claras como o Lanterna Verde surgir dentro do Laboratório de uma agência governamental ultra-secreta a tempo de enfrentar Hammond. Como sabia que deveria ir lá e como chegou ao laboratório subterrâneo e ultra-protegido electronicamente? Já sem mencionar que Parallax é uma entidade capaz de destruir mundos inteiros, mas nenhum satélite da Terra o apanhou no seu escopo. Ou que, com um tamanho tão pequeno, demoraria semanas a devorar o planeta.

Enfim, são tantas as pontas soltas e simplismo de Lanterna Verde que o filme fracassa nas suas falhas. Não entretém, não diverte e não apresenta um herói que queira rever-se, apesar de já haver uma sequela em produção. Ryan Reynolds está igual a si próprio, o papel de Blake Lively podia ter sido interpretado por qualquer actriz e mais ninguém se destaca positivamente. Entre as vozes dos Lanternas Verdes digitais, contam-se Geoffrey Rush, Michel Clarke Duncan e Temuera Morrison; Clancy Brown é a voz de Parallax. Lanterna Verde é o segundo super-herói do compositor James Newton Howard (Batman é o outro), que desta vez se limita a ilustrar a acção.

Green Lantern 2011

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