Sexta-feira, Agosto 05, 2011

Os Agentes do Destino, de George Nolfi

Se não fosse pelo facto de os protagonistas serem Matt Damon e Emily Blunt, podia dizer-se que Os Agentes do Destino revolve em torno de um romance, uma história de amor onde os protagonistas, contra todos os obstáculos, encontram forma de acabarem juntos. Infelizmente, com actores tão enjoadinhos, ficamo-nos pelas intenções e por uma sofrível adaptação de um conto de ficção científica de Philip K. Dick.

A corrida aos contos de Philip K. Dick começou no ano da sua morte e, desde então, tem sido fatal como o destino: Blade Runner (1982), Total Recall (1990), Screamers (1995), Relatório Minoritário (2002), Paycheck (2003), A Scanner Darkly (2006) e Next (2007). Os Agentes do Destino é uma adaptação bastante livre, onde até podem sentir-se pozinhos de Dark City (1998), Truman Show (1998) e The Matrix (1999).

O mundo não é feito de aleatório ou acaso, mas há um determinismo em acção na retaguarda, indivíduos com indumentária saída dos anos 50, munidos de uma agenda electrónica cheia de circuitos que imitam uma confusa planta do metropolitano, com a qual controlam o percurso de todas as pessoas, como se fossem anjos da guarda com pouco discernimento ou empatia. Por alguma razão, o director destes senhores decidiu apadrinhar o futuro de um político e impedir que este empenhe a sua carreira por amor. Para exasperação do Departamento de Ajustes, o par insiste em desafiar o destino.

O argumentista de Ocean’s 12 (2004), O Sentinela (2006) e Bourne: Ultimato (2007) junta a escrita à realização, mas o seu trabalho anterior não o preparou para a construção de uma história de amor. O filme consegue aguentar o mistério até meio, mas entretanto já o ambiente entre o casal estagnou, por causa da frieza da câmara e da falta de convicção dos actores. Fica a curiosidade do jogo de gato e do rato.

Emily Blunt ganhou nome como a irritante assistente de Meryl Streep em O Diabo Veste Prada (2006) ou a protocolar A Jovem Vitória (2009), mas está ainda por mostrar um sorriso verdadeiro ou os olhos a brilhar, dois requisitos indispensáveis a mimar paixão. A sua incapacidade de forjar esse sentimento é patente em Lobisomem (2010) e As Viagens de Gulliver (2010), e nem escondendo-se por trás da voz de uma boneca de porcelana (Gnomeo & Julieta, 2011) evita o descrédito. Matt Damon engordou para O Informador (2009) e nunca mais recuperou o estado de graça que a trilogia de Bourne lhe deu.

The Adjustment Bureau 2011

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