O Castor, de Jodie Foster

Que Mel Gibson está deprimido ninguém duvida, tanto que o álcool e a má disposição têm sido os seus cartões de visita aos Media de há algum tempo para cá. Desde Apocalypto (2006) que não brinda o público com nada de consistente, nem sequer sabe o que as mulheres querem desde 2000. Por muito que se queiram ignorar os seus diatribes anti-semitas ou as agressões verbais à ex-namorada Oksana Grigorieva, não há forma de negar que O Castor parece o seu pedido de desculpas dissimulado, especialmente quando fala em começar de novo.

Um empresário deprimido decide começar a exprimir-se através de uma marioneta de peluche, ao ponto de esquecer-se onde um começa e o outro acaba. Ao mesmo tempo, o seu filho adolescente lida com os problemas próprios da idade e com a recente proximidade à rapariga mais bonita do liceu, pela qual foi contratado para escrever o seu discurso de formatura. A abordagem ao tema da depressão é curiosa e mostra que esse sentimento pode começar em qualquer idade, vindo a manifestar-se conscientemente apenas muito mais tarde, mas que convém estar atentos aos primeiros sinais.

O filme é leve e com um compasso natural, chegando ao fim sem ter maçado, mas também sem colocar o dedo na ferida. Tem a mera curiosidade de reunir Gibson a Jodie Foster, com a qual protagonizara Maverick (1994). Tanto um como outro já se sentaram atrás das câmaras, ele cinco vezes e ela agora pela terceira. Não se pode também esquecer a presença de Anton Yelchin, que um bom agente tem promovido para além da conta (a sua presença em Terminator 4 ou em Star Trek eram totalmente escusadas) e Jennifer Lawrence parece estar em todas, desde Despojos de Inverno (estreou três filmes em 2011 e tem já dois filmados para 2012).
The Beaver 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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