À Espera do Super-homem, de Greg Guggenheim

Davis Guggenheim é um realizador e produtor televisivo que se rendeu aos documentários. Depois do primeiro, Uma Verdade Inconveniente (2006), ter ganho o Óscar de Melhor Documentário, já dirigiu a biografia do candidato presidencial Brarck Obama, em 2008, e It Might Get Loud (2009), sobre a história da guitarra eléctrica (focado em três guitarristas: Jimmy Page, The Edge e Jack White).

À Espera do Super-homem versa sobre o sistema escolar público norte-americano, que acusa de estar estrangulado por dois motivos: a burocracia institucional e os sindicatos de professores. A única solução parecem ser as escolas charter, que escolhem os professores pelo mérito, que premeiam (em vez da efectividade ao fim de dois anos de ensino, como faz o sistema público) e são dirigidas de forma independente. Infelizmente, as vagas nestas escolas são poucas para a procura e, por isso, todos os anos são conduzidas lotarias, onde os candidatos são seleccionados ao acaso.

O filme segue as aspirações de três famílias que querem que os seus filhos entrem para uma escola charter, e entrecorta esses episódios com entrevistas e um relato desapaixonado das causas da estagnação do ensino e da falta de aproveitamento dos estudantes norte-americanos. Infelizmente, parece uma história mal contada. A burocracia é apresentada como um mal encapotado, um polvo com tentáculos em forma de organigrama, mas nunca aborda o problema para além de um sketch animado, por exemplo. Apresenta um único ponto de vista e todas as participações são muito ordeiras, sem o menor conflito de um contraditório. Sente-se estar perante um objecto panfletário, incompleto e insatisfatório. Ainda assim, é melhor do que nada.

Waiting For Superman 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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