Segunda-feira, Agosto 15, 2011

A Conspiradora, de Robert Redford

É verdade que Robert Redford já tem 75 anos e que lhe deu para pentear o cabelo pintado de gema de ovo à moda de Donald Trump, mas não se lhe imaginava um filme tão letárgico como A Conspiradora. Redford conheceu o sucesso aos 32 anos, transformando-se no actor mais rentável da primeira metade dos anos 70, e em 1981 ganhou o Óscar de Melhor Realizador pelo seu primeiro filme atrás das câmaras, Gente Vulgar (1980), para o qual voltou a ser nomeado por Quiz Show (1994). Entretanto, merece também que se lhe destaque O Encantador de Cavalos (1998), ainda que este século, atrás das câmaras, não se lhe tenha visto grande mérito (A Lenda de Bagger Vance, 2000, mais parecia uma fita de Ron Shelton e Peões Em Jogo, 2007, não passava de um filme-mensagem).

No advento da derrota do Sul na Guerra da Secessão, o Presidente Abe Lincoln foi assassinado no camarote onde assistia a uma peça de teatro. Teatro parece também a condução do julgamento, no qual foram acusados de conspiração sete homens e uma mulher. E ainda mais teatro se sente pela forma arrastada e pouco convicta com que Redford o dirige. Dos sete homens, são enforcados apenas três, pelo que fica por entender o que aconteceu aos restantes. Nenhum chega a defender-se ou a ser imputado, como se fizessem parte do cenário e Mary Surratt, dona da pensão onde o grupo se reunia, fosse uma espécie de cabecilha, quando tudo leva a crer que não passou de mera espectadora. A Conspiradora é assim, um rolo de película sem sal, sem rumo nem brilho, sonâmbulo na defesa e pouco profissional no ataque, encenando tudo como uma peça de amadores, onde até os actores se sentem embaraçados nos figurinos de armazém. Com tamanha falta de convicção, persiste a dúvida sobre as intenções do realizador, que devia estar a dormir enquanto o rolo gravava.

The Conspirator 2010

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