Arthur, de Jason Winer

Criança mimada num corpo escanzelado de adulto irritante, Arthur é idiota, alcoólico e milionário. Quando a mãe lhe coloca o ultimato de casar ou ser deserdado, aceita a opção fácil. Depois apaixona-se e comporta-se adequadamente à sua verdadeira idade mental, algures na puberdade.

Arthur até é um filme à medida de Russell Brand, dado a excessos desde cedo. Enquanto a mãe definhava com cancro e o pai a divorciava para parte incerta, o delinquente entregava-se ao álcool, ao sexo e às drogas e era expulso de escola atrás de escola. A irreverência acabou por conduzi-lo ao stand up depois de esbarrar nas exigências do drama e não se curvou ao sistema, rimando notoriedade com obscenidade ao mesmo tempo que fazia nome para si em Inglaterra, mesmo que nem sempre pelos melhores motivos, como fazem prova as doze vezes que esteve preso. Desbragado e irritante, o actual marido da cantora Katy Perry saltou para o estrelato com Forgetting Sarah Marshall (2008) e, desde então, tem apresentado cerimónias da MTV, feito vozes animadas para Hollywood (Despicable Me e Hop) e até estragou todas as cenas em que entrou da lamentável adaptação shakespeareana de A Tempestade (2010).

Arthur, o Alegre Conquistador (1981) teve quatro nomeações para os Óscares e duas vitórias (Melhor Actor Secundário e Melhor Canção), mas não repetirá o feito em 2012. O remake tem a mesma história, mas nenhum do flair. Ao menos, Dudley Moore era inteligente, que fazia um milionário sem ambições, mas não um atrasado mental como Russell Brand. Helen Mirren interpreta pela segunda vez um papel que antes pertencera a John Gielgud (o outro foi o de Pospero, na mesma Tempestade referida no parágrafo acima), mas não há muito que possa fazer aqui. Greta Gerwig é uma querida, mas Jennifer Garner volta a não estar no seu elemento, ao fazer de uma viciosa dada ao ridículo (se algum papel aqui se lhe adaptava, era o de Greta Gerwig). E, claro, não posso concordar com a opinião de que o Batmobile é mais rápido do que o General Lee.

Como não podia deixar de ser, umas notinhas finais: então a ama tinha o dedo preso a um sensor de pulsação e morre sem o aparelho detectar? E se Arthur é deserdado por não ter casado, ficando sem meios de subsistência ou habitação, como é que o filme tem o desplante de andar seis meses para diante sem tocar nesse ponto fulcral?

Arthur 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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