Segunda-feira, Julho 18, 2011

Ninja III The Domination, de Sam Fistenberg

Produção da eternamente baratucha Cannon, é o segundo filme de ninjas dirigido pelo polaco Sam Fistenberg e o terceiro da trilogia Ninja. Daqui, Fisterberg partiu para os dois primeiros tomos de Ninja Americano, com Michael Dudikoff, saga que só ganhou algum respeito quando este actor foi substituído por David Bradley. Fistenberg viria a trabalhar com Bradley em Samurai Americano (1992).

Numa trilogia composta por três histórias separadas, a mais valia de Ninja III The Domination seria a estreia de um Ninja feminino, mas convém ter presente que as vestes destes artistas são demasiado enchouriçadas para seduzirem. Não só isso, como não se trata de uma verdadeira guerreira ensinada nos moldes do ancestral Bansenshukai, mas de uma jovem americana, reparadora de linhas telefónicas e instrutora de aeróbica (numa cena, repete os passos míticos de Jennifer Beals em Flashdance, de 1983), que é possuída pelo espírito de um Ninja assassino. Este Ninja foi morto por uma trupe de polícias, após ter assassinado alguns jogadores de golfe e lhe ter sido movida perseguição. Latente dentro dela, ele é activado quando ela vê algum dos polícias responsáveis pela sua morte e serve-se-lhe do corpo para vingança. Um detective da polícia apaixona-se por ela e decide ajudá-la e um Ninja bom vem do Japão atrás do Ninja mau. Os showdowns são simples mas interessantes, a lavarem as vistas do excesso de CGI que enche o cinema actual. O trabalho de duplos é meritório, com alguma da magia ninja a permanecer incólume; o baixo orçamento não estraga o entretenimento, assistindo-se a uma eficácia televisiva de bola em frente, apenas manchada pelo argumento ridículo, que ainda piora com as cenas oníricas passadas no apartamento da protagonista, cheia de fumos, ventos e até emissões laser. Como apontamento histórico, estão lá as roupas, a música e o vibe que caracterizou os anos 80.

A protagonista é Lucinda Dickey, muito activa nesse ano. Estrelou Breakdance, a sequela e ainda Ninja III, do mesmo realizador de Breakdance 2. Apesar de dançarina e de ter feito os seus próprios stunts, o físico de Dickey não fica na retina, mas é simpática e empresta alguma credibilidade a um argumento de outra forma a raiar o anedótico. Shô Kosugi é o Ninja bom, ele que aparece em toda a trilogia. Ao longo dos anos 80, Kosugi foi ninja o dobro das vezes e em Black Eagle (1988) enfrentou Jean-Claude Van Damme (que aparece como figurante numa cena de Breakdance).

Ninja III The Domination 1984

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