Legend of The Fist: The Return of Chen Zhen, de Andrew Lau

Como o título denuncia, não é a primeira vez que Chen Zhen vê as luzes, a câmara e ouve acção. Desde 1972, já Bruce Lee (Fist of Fury, 1972), Jackie Chan (The New Fist of Fury, 1976) e Jet Li (Fist of Legend, 1994) o interpretaram no cinema e Donnie Yen, que aqui reprisa o papel, numa série televisiva (Fist of Fury, 1995). A história de Legend of The Fist: The Return of Chen Zhen passa-se sete anos após os últimos eventos da série, mas a sua narrativa não está dependente das aparições anteriores do personagem, a não ser por uma breve referência à escola de artes marciais, entretanto abandonada, de Huo Yuanjia (fundador da maior escola de wushu da actualidade, interpretado no cinema por Jet Li em Fearless, 2006) e opor chineses a japoneses.

Xangai, 1925. Um período conturbado da História asiática. Legend of The Fist: The Return of Chen Zhen quer-se um épico histórico, mas acaba por ser um mero esforço decorativo do que um filme de espionagem, acção ou artes marciais. Esperava-se mais de Andrew Lau, cujo grosso do currículo

Donnie Yen, filho de uma instrutora de Tai Chi e Wushu, tornou-se mestre em artes marciais e duplo de cinema, trabalhando sob a batuta de Yuen Woo-ping, o coreógrafo de luta de Era Uma Vez Na China e The Matrix (1999). Com uma longa carreira

Shu Qi chegou ao conhecimento do público ocidental ao lado de Jason Statham (em Correio de Risco, 2002) e derreteu quem não tivesse um coração de pedra, mas Legend of The Fist: The Return of Chen Zhen também não sabe o que fazer com ela. O filme tem demasiada comida na mesa e não sabe com o que encher o prato. Num cenário de iminência de guerra, trabalha o braço de ferro entre China e Japão em Xangai com uma mistura de ambiente clandestino e o glamour art déco (do cabaret onde a maior parte da acção tem lugar), salpicando-o de espionagem, corrupção, chantagem, homicídios, gangs e um popular herói mascarado que lembra o motorista do Green Hornet, Kato, pela indumentária de mascarilha e uniforme, em 1968 interpretado por Bruce Lee no pequeno ecrã (não sei se terá sido uma homenagem, já que Lee foi o primeiro Chen Zhen).

No meio do decorativismo e de diversos sub-enredos mal cozinhados, uma excessiva brutalidade, em cores desmaiadas de desenho animado, onde os maus são muito maus: torturam, violam, executam e fazem explodir, sempre sem perderem a pose fria e a compostura sádica. O herói anda á nora a maior parte do tempo, sem dar parte de fraco mas sem interferir, e quando o faz é de forma apressada, a despachar dúzias de meliantes que não oferecem resistência. Este é o grande calcanhar de Aquiles do filme, já que a narrativa chafurda no patriotismo chinês contra o demoníaco invasor japonês, mas nunca inflama em indignação ou revolta, pelo que, emocionalmente, cai por terra. A história de amor arrasta-se e a arrasta a duração da película (105 minutos), que agradecia menos meia hora de inércia. Notar-se que é integralmente filmado em estúdio carrega na sua plasticidade e dificulta que o drama soe humano. Não há muito o que desfrutar até ao clímax, que tem lugar, como não podia deixar de ser, no típico dojo do adversário, com o herói a defrontar dezenas de oponentes de uma vez, antes de destruir aquele que mais maldade espalhou.

Legend of The Fist: The Return of Chen Zhen 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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