Quarta-feira, Junho 15, 2011

Willow: Na Terra Da Magia, de Ron Howard

Eram os tempos da grande aventura de que falava o feiticeiro do prólogo de Conan O Bárbaro (1984), tempos em que George Lucas ainda tinha ideias e Val Kilmer fãs. Eram tempos de magia, onde uma actriz entrava com o nome Joanna Whalley e saía com o de Whalley-Kilmer. Willow era um filme assim, carregado de energia positiva, de anões, de minúsculos, de fadas, feiticeiras e animais falantes. Os efeitos de sobreposição de imagem eram filmados contra um ecrã azul e não verde, os micro-processadores não faziam jus ao nome e os efeitos especiais eram conseguidos através de animatrónica de stop motion e pinturas matte.

O herói de Willow é um corajoso anão que tem a incumbência de levar a porto seguro um bebé que encerra o segredo de uma profecia capaz de fazer cair do império da Rainha Má e restaurar a paz no universo. Passado na época medieval é, no fundo, apenas uma brincadeira bem disposta, entretenimento infanto-juvenil bem intencionado, espirituoso mas distraído. Ron Howard, que viria a fazer carreira com projectos mais adultos (e a ganhar dois Óscares por Uma Mente Brilhante, 2001, como realizador e produtor), está ainda muito verde para fazer Willow levantar do chão (no currículo, contava já com os êxitos de Splash - A Sereia, 1984, e Cocoon: A Aventura dos Corais Perdidos, 1985). Ainda assim, o guião de Bob Dolman tem argumentos suficientes para cativar e a Industrial Light & Magic reinava sem paralelo. Um pouco mais de atenção aos combates de espadachim teria feito maravilhas.

Nota especial à dignidade com que são tratados os anões, à primitiva técnica de morphing (anterior ao Black or White do Michael Jackson), ao facto dos seres minúsculos não terem sombra por baixo dos pés quando pisam cenário real e o duelo final entre feiticeiras recorrer, quando se esgota a magia, a socos e estrangulamentos.

Willow 1988

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