Sem Limites, de Neil Burger


Um escritor bloqueado experimenta um comprimido que lhe aumenta a capacidade cognitiva e começa a usar a totalidade do seu cérebro. A euforia é enorme e o mundo parece cheio de possibilidades. Não só escreve um romance numa tarde, aprende a tocar piano num abrir e fechar de olhos e é capaz de impressionar festas inteiras com as suas opiniões sobre os mais diversos assuntos, como decide enriquecer com a sua recém adquirida capacidade de prever os mercados bolsistas. Por outro lado, o seu fornecedor de comprimidos foi assassinado e o agiota de leste a quem pediu dinheiro emprestado quer o investimento de volta. Será um cérebro iluminado suficiente para dar a volta por cima?

Se algum filme merecia o enquadramento 3D era este, mas Neil Burger descarta, com tanta facilidade, esse artifício, que o descarna por aquilo que ele é, fogo-de-vista acessório e inútil. Ao lado do director de fotografia Joe Willem, Burger aproveita todas as potencialidades cromáticas da alta definição e um fantástico efeito de zoom de imensa profundidade. Aliada à criatividade visual, uma banda sonora (de Paul Leonard-Morgan) que adere a cada cena, fazendo delas um conjunto híbrido, surreal e dissociativo que, no conjunto, pode ser exactamente o que o médico receitou.

Sem Limites baseia-se no romance Dark Fields, do irlandês Alan Glynn (publicado em 2001), com guião de Leslie Dixon (Mrs Doubtfire, Thomas Crown Affair, Hairspray e Freaky Friday). Critica-se-lhe o recurso a esquemas por vezes demasiado convencionais (Wall Street, mafiosos de leste e um cargo público como um passo ascendente de carreira), mas a premissa é suficientemente curiosa para que a imaginação flua para o campo pessoal do «E se…» e cada um imagine o que poderia fazer com uma droga assim, capaz de transformar qualquer preguiçoso sem rumo num empreendedor e atraente super-eu.

Formalmente próximo de Fight Club (1999) e de Being John Malkovich (1999) na sua loucura, Sem Limites prova o crescimento de Neil Burger como realizador e é bem protagonizado pelo ascendente Bradley Cooper (da série Alias a A Ressaca, 2010, tem sido só subir), com Robert DeNiro a fazer caretas e Abbie Cornish de bonita. Êxito retumbante, custou 27 milhões e recolheu das bilheteiras 141 milhões. Fica por explicar como é que uma droga com tais poderes se manteve secreta durante, pelo menos, dois anos (segundo a personagem de Anna Friel); se fosse algo novo, experimental, acabado de surgir, seria mais credível.

Limitless 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo
1 Comments:
ESSA PILULA NÃO EXISTE, MAS VER O FILME, DE CERTA FORMA, ME FEZ ADQUIRIR UM EFEITO PLACEBO DELA KKKK, DE TANTO ENTUSIASMO QUE TENHO COM ESTES ASSUNTOS DE ESPANDIR A INTELIGÊNCIA E A CAPACIDADE COGNITIVA. PODE PARECER LOUCURA, MAS SOU FASCINADO POR ESTES ASSUNTOS E PARABÊNS PELA CRÍTICA ÓTIMA EXCELENTE.
EMAIL: MIGUELLEMOS_NG@HOTMAIL.COM
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