Paul, de Greg Mottola

Depois de 50 anos fechado num ultra-secreto armazém de Roswell, Novo México, Paul quer voltar para casa. Sim, para o mesmo sítio que o E.T. queria ir, só que sem o dedo iluminado. Paul é um extra-terrestre em fuga, que apanha boleia com um par de jarras britânicas, que percorrem os EUA numa caravana, de visita aos locais de visionamentos de extraterrestres. Pelo meio, o grupo recolhe uma fanática religiosa e são perseguidos por agentes secretos, mas o humor perdeu-se na confusão.

A dupla britânica Simon Pegg e Nick Frost, responsáveis por Shaun Of The Dead (2004) e Hot Fuzz (2007), escreveram e protagonizaram Paul, uma despreocupada sátira ao género geeks e aliens, tão despreocupada, aliás, que se esqueceram de fazer rir a audiência. As referências são mais do que muitas, de Encontros Imediatos de Terceiro Grau (1982) aos Ficheiros Secretos (1997), com a acção a ter início no ComiCon de 2009, em São Diego, Califórnia, onde dois fãs de bandas desenhadas e de ficção científica se deliciam com as imitações de Princesa Leia e sabres laser de néon, antes de se cruzarem (literalmente) com um verdadeiro extraterrestre em fuga. Dão-lhe boleia e seguem-se algumas peripécias, mas sente-se que o filme nunca chega a arrancar. Há uma personagem com a síndrome de Aspergers que diz asneiras em cadeia, como se isso, só por si, fosse engraçado, e o filme pode sintetizar-se nessa mesma ideia, como se a intenção fosse suficiente e os pormenores pudessem ser atados à pressa – dizem-se umas patacoadas e já está. Mas, independentemente de quão simpático é o pequeno alien de pele cinzenta e calções de caqui, a interacção entre os personagens é básica e sem frescura.

Greg Mottola, realizador de Super Baldas (2007), deve ter adormecido atrás das câmaras. Com Adventureland (2009), provou que era capaz de alguma profundidade, mas Paul é, claramente, um passo atrás. Com tantas piscadelas a outros êxitos, o filme acaba com treçolho. Seth Rogen dá voz a Paul (já que o extraterrestre é completamente gerado por computador), mas as gravações de Green Hornet (2011) impediram-no de dedicar-se ao personagem, limitando-se a chegar na fase final e a gravar as suas frases. Sigourney Weaver é outra voz omnipresente, que só ganha corpo no clímax. Ninguém combate aliens como ela.

Paul 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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