Gnomeu & Julieta, de Kelly Asbury


Uma rua dos subúrbios, duas casas geminadas, dois vizinhos que se odeiam. Os bonecos dos dois jardins partilham desse ódio figadal (porque muito ocos que sejam) e estão constantemente a sacanear-se mutuamente. A sua característica dominante é a cor com que lhes pintaram as farpelas: uns de azul e os outros de vermelho. Claro que, no meio de todo este ódio, uma vermelha e um azul vão apaixonar-se e, tragédias à parte, isto é uma filme para crianças.

Gnomeu & Julieta esforça-se demasiado. Tem quase mais gags do que um filme do trio Zucker, Abrahams & Zucker e, claro, mais de metade deles erram o alvo; pedia-se mais contenção e uma triagem inteligente, para que umas não pagassem pelas outras.

Kelly Asbury é, afinal, nome de homem, mas a dúvida é legítima, já que este realizador se tem escondido por trás de bonecos animados, de Spirit (2002) a Shrek 2 (2004) e do garatujar de storyboards para quase uma dezena de filmes, dos quais se destacam O Estranho Mundo de Jack (1994) e O Príncipe do Egipto (1998). Quanto a argumentista, partcipou

Apontam-se três pontos positivos porque não há mais: a cabeça voadora de David Hasselhoff no idle screen do computador da vizinha de idade, a voz de Hulk Hogan no anúncio do cortador de relva e Patrick Stewart como a voz da escultura de Shakespeare. De resto, irrita tanto ouvir todos os bonecos a tilintarem sempre que tocam em alguma coisa (no início é engraçado, depois cansa) e ainda irrita mais a escolha de Emily Blunt para Julieta, desajuste que a acompanha desde a princesa de As Viagens de Gulliver (2010). O elenco tem inúmeros nomes conhecidos, de James McAvoy a Michael Caine, passando por Jason Statham e Maggie Smith. Tão estranho como ouvir Ozzy Osbourne a fazer de fauno é a banda sonora ser composta por uma batelada de antigos êxitos de Elton John. Desde que escreveu algumas canções originais para O Rei Leão (1994) que o seu único contacto com a sétima arte têm sido o uso esporádico das suas canções pop em bandas sonoras de pacote. Aqui, são nada menos do que nove canções, a maior parte delas com trinta e tal anos, o que as adequa mais à memória dos avós do que dos pais que levem as crianças ao cinema. Elton John só parece adequado ao filme por ter, nos seus atarracados 1,61m, ar de duende, e dos feios.

Gnomeo & Juliet 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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