Quarta-feira, Junho 01, 2011

Destino Infernal, de Patrick Lussier

Depois de Tarantino e Rodriguez terem reaberto a porta aos Grinders, o género foi parar às mãos do povo e era uma questão de tempo até a estrela mais inútil de Hollywood mergulhar novamente no charco onde tem brincado na última década e meia. Destino Infernal é a mais recente aposta de Nicolas Cage, vocacionado como poucos em distinguir-se pela falta de talento e cegueira comercial. Depois de ter marcado 2010 com os vergonhosos O Aprendiz de Feiticeiro e Época das Bruxas, 2011 recondu-lo aos bólides (Sessenta Segundos, 2001), antes de voltar a sentar-se na mota quente de Ghost Rider (2012).

No ano passado, Dwayne The Rock Johnson meteu os músculos de wrestler dentro de um Chevrolet Chevelle de 1971 e, na pele de um ex-presidiário, não descansou enquanto não descarregou as balas do esmagador revólver Super Redhawk Ruger Casul .454 em todos quantos foram responsáveis pela morte do irmão (Alta Velocidade, 2010). Destino Infernal achou que podia ir mais além: pegou no mesmo carro e somou-lhe outro clássico (um Dodge Charger de 1969); foi buscar o protagonista à pior prisão de que se conseguiu lembrar, o Inferno (o personagem até nos dá umas luzes sobre como é a vida por lá); e, em vez de perseguir os assassinos do irmão, tem na mira o líder de uma seita satânica, que lhe assassinou a filha e raptou a neta, que pretende sacrificar numa cerimónia de conjuração.

Apesar desta descrição sumária assemelhar-se ao cúmulo do absurdo, admite-se, com as devidas reticências, que uma execução capaz poderia fazê-la funcionar. Afinal, um desconhecido Jack Sholder surpreendera tudo e todos com uma produção de baixo orçamento onde um alien habitava o corpo de seres humanos enquanto se divertia a assaltar bancos e a matar indefesos com o pára-choques do seu Lamborghini, trocando de hospedeiro para evitar a caça que lhe era movida por um polícia humano e outro extraterrestre (Hidden, 1988).

Mas, Patrick Lussier não sabe o que faz. Limita-se a acelerar, deixando para trás lógica, ritmo, personagens e diversão. Perdido no fumo dos escapes e da cordite, a audiência nem encontra espírito para se rir. Afinal, um dom não se aprende. Depois de duas décadas a fazer montagens para produções de Wes Craven, este deu-lhe rédea para escrever e realizar a imprestável trilogia de Drácula (2001, 2003 e 2005) e em 2009 Lussier brincou pela primeira com efeitos 3D (São Valentim Sangrento), mas daqueles de pós-produção.

Destino Infernal mistura mau gosto de proporções épicas, sobrenatural risível e uma tacanhez sem paralelo. Não entretém, porque não sabe o que isso é. O desenvolvimento da narrativa é infeliz a cada passo, exagerando na violência porque não lhe resta mais nada. Não ter sequer consciência disso, é um passo no mau caminho.

Para além de desperdiçar tudo o resto, Destino Infernal também desbarata os seus actores. Quanto a Nicolas Cage, não havia nada a fazer, mas o que dizer de David Morse e William Fichtner (nem colar-se à sua persona de caçador de fugitivos de Prison Break o safa, ainda que seja o que menos se espalha)? Falta também um vilão à altura: Billy Burke (pai da Bella na saga Twilight) é um actor acabado, que se arrasta no papel de lobisomem em A Rapariga do Capuz Vermelho (2011) e aqui, como um Messias que vive numa roulote branca e tem um culto composto por meia dúzia de rednecks. Já agora, convém referir que se desenterrou Tom Atkins (Halloween III, 1981, e Arma Mortífera, 1987).

Por fim, Amber Heard, a sexy e voluntariosa sidekick de Cage, o melhor que Destino Infernal tem para oferecer. De jovem fatale em Sedução Mortal – All The Boys Love Mandy Lane (2006) e Hidden Palms (2007) a girl next door em Never Back Down (2008) e Stepfather (2009), culmina num trabalho de nudez em Os Informadores (2009) e noutro de pugilato em Destino Infernal. Talvez a soma destes dois últimos tenha motivado a sua eleição para a próxima encarnação de Red Sonja (ainda sem filmagens iniciadas e com o afastamento de Robert Rodriguez e Rose McGowan, que o promoviam no Comicon de 2008 para uma estreia em 2009, que não chegou a existir; nem película).

Drive Angry 2011

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