Quarta-feira, Maio 25, 2011

Sou O Número Quatro, de D. J. Caruso

Em tempo de vacas magras, adapta-se. Verdade seja dita, desde os primórdios que os Super-heróis copiam nomes, origens, poderes e uniformes. O fato do Demolidor passou de amarelo a vermelho porque as impressoras processavam mal a cor, as editoras DC e Marvel têm cada um o seu Capitão Marvel (e até houve um Capitão Thunder com poderes e uniforme idênticos aos da DC), o Batman e o Green Hornet têm ambos nome de bicho, bólide e fortuna, há mais Lanternas Verdes do que as mães, o Homem-Aranha teve um inimigo chamado Tarântula e há fêmeas para muitos machos: Mulher-Aranha, Mulher-Morcego, She-Hulk, Ms Marvel, etc.
Eu Sou o Número Quatro podia ser o episódio piloto de uma série concorrente de Smallville, com um actor que tem pinta de Aquaman. John é um extraterrestre de quinze anos, incógnito na Terra com o seu guarda-costas. O planeta Lorie foi escravizado pelos invasores Mogadorians e ele é um dos nove sobreviventes enviados para a Terra. Um grupo de Mogadorians veio no seu encalço e três Lories já foram eliminados. O Número Quatro vai dar luta.
Michael Bay (Armaggedon, Transformers) comprou os direitos de autor do romance juvenil de Pittacus Lore (pseudónimo de James Frey e Jobie Hughes) antes mesmo da publicação do primeiro de seis livros propostos, e leiloou-os à DreamWorks. Steven Spielberg contratou Al Gough e Miles Millar (os criadores da série Smallville), para adaptarem o argumento. Marti Noxon (guionista e produtor da série Buffy, A Caçadora de Vampiros), deu uma ajuda. Quando Michael Bay preferiu realizar Transformers 3, Spielberg entregou o projecto a D.J. Caruso, que já dera lucro à DreamWorks com Disturbia (2007) e Eagle Eye (2008).
A história foi construída em cima do joelho e é meramente funcional, mas resulta. Um adolescente incógnito chega a uma pequena cidade do interior e descobre que tem super-poderes. Ninguém se mete com ele porque tem músculos, até que adopta um nerd e se envolve com a ex-namorada do quarterback. Mas isto não é nada comparado com a chegada dos extraterrestres que vêm matá-lo. Por sorte, também há uma Número Seis.
O enredo está cheio tão de buracos que é um milagre não partir uma perna. Quem são estes nove e qual o critério de selecção? Em eterno perigo iminente, não seria de esperar que o quotidiano do Número Quatro e do seu guardião fosse constituído por duros treinos de combate e resistência? Como é que a morte de alguém cria uma tatuagem em forma de talismã, na perna de alguém a grande distância? Se o Número Quatro e o seu Guardião vieram do mesmo planeta, porque é que o guardião não tem poderes? Se os vilões são um povo poderosíssimo, que destruiu o planeta do Número Quatro, porque é que há meia dúzia de homens-tubarão disfarçados atrás dele, em vez de uma frota de gigantes naves-mãe, para aprisionar e destruir a Terra? Como é que o guardião encontrou o Número Quatro, na despensa da escola?
Apesar de tudo, se enquadrado no típico conceito de entretenimento adolescente com o coração no sítio certo, Sou O Número Quatro não está mal. Alex Pettyfer (alguém se lembra de Alex Rider - Operação Stormbreaker, 2006) é uma mistura entre Eric Balfour e Ryan Pillippe, Timothy Olyphant está sempre bem e Kevin Durand já nos habituou a usar máscaras. Numa terra exclusivamente caucasiana e com tinta dourada em saldo, Teresa Palmer e Dianna Agron são as loiras de serviço.
I Am Number Four 2011

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