Rabbit Hole, de John Cameron Mitchell

Um casal angustiado tenta lidar com o buraco que a morte do seu filho lhe deixou. A situação percebe-se indirectamente, através de algumas migalhas deixadas nos diálogos, mas as pistas sentem-se demasiado óbvias. De resto, demora a desenvolver, pisando ovos e pedindo desculpas. Quando começa a dominar as mudanças, já criámos inimizade como a personagem de Nicole Kidman e é impossível retroceder.

Idiossincrasias e comportamentos desajeitados polvilham o filme, sempre com a ideia central de que o sofrimento pela perda de uma criança abala cada um de maneira diferente, mas nem a competência dos actores é capaz de elevar esta película do banal drama familiar. Contam-se alguns momentos mais felizes, mas o cômputo não aquece nem arrefece.

Rabbit Hole foi produzido por Nicole Kidman, que se sentiu atraída por uma crítica à peça de David Lindsay-Abaire, em 2006 na Broadway. Foi ela quem escolheu Aaron Eckhart para o papel de marido (é Dianne Wiest quem está impagável), mas John Cameron Mitchell já foi alvo de ponderação. O realizador de Hedwig (2001) e Shortbus (2006) é formalmente adequado, mas a história não tem mais vida para dar do que a de um guião frustrado pelo seu tema o atar de pés e mãos. Os lábios de colagénio da Nicole Kidman continuam a repelir quem a achava bonita.

Rabbit Hole 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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