Cliente de Risco, de Brad Furman

Advogado trafulha é contratado por cliente com história mal contada, em caso de espancamento e tentativa de violação de desconhecida. Começa presunçoso, vê-se em apertos e dá a volta por cima. Simplório e para consumo rápido, Cliente de Risco é realizado de forma expedita e bem oleada, a despachar os problemas para o canto da retina do espectador.
Cliente de Risco baseia-se no romance de Michael Connelly, que disse ter escolhido Matthew McConnaughey para protagonista depois de o ter visto em Tempestade Tropical (2008), o que foi uma resposta irreflectida ou de fraca memória cinematográfica. Se é verdade que Tom Cruise aproveitou, como ninguém, a oportunidade dada por Tempestade Tropical para fugir ao figurino, a prestação de McConnaughey é curta, irrelevante e desinspirada. Isso não significa que ele não seja o homem ideal para encabeçar Cliente de Risco, porque é; mas porque a sua carreira foi catapultada ao sucesso precisamente por um papel de advogado (Tempo de Matar, 1996) e a presença marcante do actor tem mantido o mesmo estilo atlético e presumido ao longo de década e meia.

Michael Connelly não é Jonh Grisham e a trama de Cliente de Risco derrapa constantemente para ideia de que o sistema judicial tem de ser auxiliado através da vigarice e de esquemas paralelos e ilegais. Tanto advogados, Ministério Público e polícias dobram a lei e contornam dificuldades, quer seja para salvar a pele como os seus clientes. Mas, se o considerarmos um filme para entreter, Cliente de Risco, não está mal. Brad Furman tem apenas um filme no currículo (The Take, 2007), mas filma com decisão e ímpeto. No prelo, Cry Macho (2012), projecto de que se conhece apenas um actor: Arnold Schwarzenegger.
Algumas curiosidades sobre o elenco: McConnaughey parece recuperado de alguns problemas capilares recentes, Marisa Tomei é melhor do que vinho do Porto, Michael Paré parece rejuvenescido (em As Virgens Suicidas , 1999), Josh Lucas está acabado e Ryan Phillippe definitivamente relegado para papeis secundários.

Duas amostras de desleixo básicas: como é possível espancar uma mulher e não ter marcas nos nós dos dedos (o arguido foi apanhado no local do crime e não há referência a ter usado luvas)? E como é que, num julgamento que se quis célere e expedito (o arguido assim o exigiu), a vítima de tamanha brutalidade se apresenta a depor sem uma única equimose no rosto (ao contrário das mugshots, onde tem meia cara pisada e em sangue)?

The Lincoln Lawyer 2011
O Evangelho Segundo Cinéfilo

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