Caminho da Liberdade, de Peter Weir

Odisseia de um grupo de presos políticos do regime comunista, em 1942, que se evade de uma prisão da Sibéria, atravessando milhares de quilómetros quadrados de neve e frio, seguidos por um deserto estarrecedor. Do Gulag à Índia, passando pela Mongólia, China e Nepal. História de sobrevivência e vontade de ferro, face ao acumular de dificuldades e à eventual perda de vidas.

O guião, pela mão do realizador e Keith Clarke, baseia-se no popular livro A Longa Caminhada, de Sławomir Rawicz, publicado em 1956. Em 2006, a pretensão do livro ser um história verdadeira caiu por terra, com Peter Weir a reconhecer que o seu filme até já ficcionava a narrativa literária, mas que há relatos de outras fugas, pelo que o slogan «inspirado por eventos reais» se mantém uma afirmação válida.
O nome de Peter Weir evoca outros tempos. Gallipoli (1981), A Testemunha (1985), Clube dos Poetas Mortos (1989), The Truman Show (1998). O século XXI ainda só lhe conhecia o fiasco Master and Commander (2003) e Caminho da Liberdade, em boa verdade, não melhora a tendência. Não que o filme não tenha boas interpretações ou paisagens lindíssimas, mas ao nível emocional é muito limitado. Fome e cansaço, mas muito pouca interacção entre os personagens. Isso muda, em pequena escala, com a chegada de uma personagem feminina, mas não o suficiente.

Com boas prestações de Jim Sturgess, Colin Farrell, Ed Harris, Saoirse Ronan e Mark Strong, Caminho da Liberdade ganhava com uma duração inferior (são muitos quilómetros, eu sei, mas 133 minutos é muito tempo por quilómetro). Não foi filmado em nenhum dos locais que representou, mas na Bulgária, em Marrocos e na Índia. Quanto ao box office, custou mais dez milhões do que os reavidos.

The Way Back 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo

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