London Boulevard, de William Monahan
William Monahan, argumentista de The Departed e O Corpo da Mentira, estreou-se na realização com a adaptação de London Boulevard, um livro de Ken Bruen publicado em 2001. Pequena história de crime e castigo passada na cidade chuvosa, centrada num indivíduo acabado de sair da prisão, onde esteve hospedado três anos por agressão, e na sua tentativa de reabilitação, dificultada pelas tentativas do gangster local em dar-lhe uma posição no seu negócio.

A história é curiosa, com diálogos interessantes, cheia de personagens caricatos e reviravoltas caprichosas. A fluidez do ritmo garante o entretenimento, mas algumas linhas narrativas mal atadas e o final precipitado e sanguinolento obstam a que a experiência seja mais positiva. Mitchell é um rapaz de bom coração, mas a insistência do gangster local em ingressá-lo nas suas hostes fica por explicar, assim como a facilidade com que um ex-condenado teve acesso à casa de uma actriz deprimida e com fobia a paparazzi.

A presença de Colin Farrell domina o filme, com um sotaque e uma representação sem mácula, ao que os restantes actores prestam merecido apoio. Keira Knightley, David Thewlis, Ray Winstone, Ben Chaplin, Eddie Marsan e Anna Friel, uma engrenagem bem oleada. Monahan apoiou-se no experiente director de fotografia, Chris Menges, ele próprio realizador nos anos 90.

London Boulevard 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo

10 Comments:
Encontrei o teu livro na prateleiro de um amigo meu : )
Qual deles?
Olha, podes enviar-me um link para a foto do teu perfil blogger em grande?
(sim, sou Leão)
Tal pai...
eu não tenho a foto em lado nenhum : O
(leão, qual leão?)
signo...
pediste-lho emprestado, leste-o?
não precisei, está na biblioteca do campo pequeno, e já está com a entrega atrasada
sim, já o li
veredicto?
o meu veredicto não é relevante porque este não é um género literário onde me tenha aventurado muitas vezes, e a minha opinião fica assim pouco ou nada orientada
dentro desta desorientação, gostei muito da escrita, que não é igual á que já conhecia de ti, mas percebe-se bem que é tua porque tens um jeito que é teu e de mais ninguém. Foi reconfortante (e algo familiar)ler o livro e assitir à tua evolução (que termo desastroso) como escritor, mesmo que em marcha atrás.
à quanto tempo o livro foi escrito? 10 anos? menos, mais?
Fiquei com uma impressão muito visual do livro, mas ajuda viver na mesma cidade que o protagonista. Mas isto também porque escreveste de uma forma quase cinematográfica (isto faz sentido?)e o leitor fica com a sensação de ler um filme.
a cena do livro que te criticaram no blog do não sei quantos é, curiosamente, a minha preferida (falei em cena e não em capítulo, mas não foi nada propositado)
alguma coisa que digo faz sentido? enfim
o teu veredicto é muito importante. primeiro, porque me legitima como autor do presente, quando escrevi o livro há mais de 10 anos (foi publicado em 1999) e para uma geração mais nova do que a minha. E, já agora, para um autor, não há opiniões irrelevantes.
podia ser este o livro a lançar-te no género... que género é esse, o suspense?
Já não o leio há anos, por isso não tenho a maior parte das cenas presentes, mas acho que a Cidade Universitária é a parte mais reconhecida de Lisboa. O liceu foi escrito com a Escola Secundária Aurélia de Sousa em mente, onde estudei, e que fica no Porto.
A escrita de ficção nada tem a ver com a crítica cinematográfica, por isso é natural que notes diferenças. Mas, sim, claro, para além da temática, há a passagem do tempo.
Reconfortante? Expressão curiosa :) Receaste que pudesse desiludir as tuas expectativas? isso seria mesmo triste, porque, realmente, aquilo de que mais me orgulho é da minha escrita.
Concordo que seja um livro muito visual, sempre construí as minhas histórias com grande atenção aos pormenores de movimento.
Ainda bem que gostaste da cena/capítulo do Sôr Vítor, foi uma abordagem à pedofilia muito anterior ao Processo Casa Pia. Acho que ficou suficientemente intensa. Outra cena que muito gosto me deu fazer foi a fuga do Hospital.
Viste a minha entrevista ao Programa Noite de Cinema?
fizeste-me sentir assustadoramente nova assim de repente, com a conversa das gerações
onde é que estavas na foto da contracapa? tens um ar turístico
sim, a cidade universitária ficou a zona mais reconhecivel da cidade, e o metro da mesma, que pelos vistos agora é felizmente mais calminho. Quero ler mais livros em Lisboa com Lisboa.
sim, o suspense, o thriller, mas não me imagino a embrenhar-me no género.
Reconfortante nesse sentido mas também noutro diferente, porque fui capaz de encontrar a tua escrita que sim, com a passagem do tempo e uma nova temática é naturalmente diferente, mas mesmo assim reconhecivel. Mas sim,foi um receio.
sim, já tinha visto mas já só me lembrava das trapalhices do entrevistador. Imaginava a tua voz diferente.
E o que é que fizeste ao livro da tua vida?
nunca pensaste voltar ao Porto?
Nem tinha reparado no leão. mas és mesmo?
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