Sexta-feira, Abril 29, 2011

Homens de Negócios, de John Wells

A crise financeira de 2008 na Bolsa americana motivou Oliver Stone a fazer a sequela de Wall Street (2010) e diversas abordagens documentais interventivas (Doutrina do Desastre, 2009, e Inside Job, 2010), mas alguém se lembrou da tomada simplex: tudo o que necessitava era de alguns actores de fato e gravata a ostentarem olhares abatidos e de comiseração, andando de um lado para o outro e a fazerem de conta que prestavam atenção aos papeis que a equipa de adereços lhes punha nas secretárias. Ao fim de hora e meia, estariam despachados. A ideia sofreu uma ligeira rescrita, apenas para incluir um personagem a quem realmente acontecesse alguma coisa, com a condição de ser pouco. A duração passou para 104 minutos.
Para que isto funcionasse minimamente, era preciso escolher actores com nome estabelecido, caso contrário ninguém iria ver tanta apatia ao cinema. Satisfeitos por quase não terem guião e serem pagos para palitarem os dentes, Tommy Lee Jones, Chris Cooper, Craig T. Nelson e Kevin Costner nem pensaram duas vezes. Juntou-se-lhes Ben Affleck para não ser tudo geriátrico e Maria Bello deu um vislumbre da sua cada vez mais elegante nudez, para mais tarde recordarmos.
Como pano de fundo liberal, e para que não pareça tudo aleatório, a condenação de uma american way of life que só liga à ganância e onde, se os números não compensam, vidas humanas vão para o desemprego. Hipotecas, cartões de crédito, escolas, férias, carros, tudo tem um custo elevado para quem estava habituado a esbanjar. O cinto tem de ser apertado e o orgulho engolido. Mas filmes destes não adiantam nada, porque não dão luta. São meros peixes mortos a boiar à superfície. A mover-se em águas próximas, o espanhol Às Segundas Ao Sol (2002), por exemplo, foi muito mais eficaz.
The Company Men 2010

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