De Repente Já Nos 30, de Gary Winnick

No seu aniversário, uma menina de 13 anos, patinho feio para as colegas de escola, pede o desejo de ter 30 anos e é catapultada para o futuro, onde se tornou editora de uma revista de moda de sucesso e se transformou naquilo que seria esperado das piranhas que invejava quando era miúda. No mundo corporativo, nem tudo são rosas e a criança confusa em corpo de mulher musculada recorre ao seu melhor amigo, apenas para descobrir que se tornaram dois estranhos. Antes de voltar ao normal, terá de equilibrar os prós e os contras de ser adulta, evitar o despedimento, vingar-se da falsa melhor amiga e encontrar o amor.

A concretização do desejo de crescer depressa já tinha sido expresso no filme Big (de Penny Marshall, 1988), mas a grande diferença entre a prestação de Tom Hanks (esteve quase para ser Robert deNiro – gulp!) e a de Jennifer Garner é que ele se comportava como um miúdo normal e inteligente e ela mais parece o Pinóquio, uma marioneta a mexer-se sem fios pela primeira vez (ou quando Pinóquio se transformou em burro). A cena em que ela é confrontada com o seu corpo adulto e desenvolvido pela primeira vez ficará para os anais do caricato e, para os anais do grotesco, aquela em que se põe a dançar a coreografia da canção Thriller numa festa, de saltos altos, e é acompanhada por um inesperado chorus line (oportunisticamente quando se comemoram os 20 anos da data de lançamento do álbum de Michael Jackson). Aparentemente, a menina tímida só precisa de meia dúzia de cocktails para se soltar. Citar duas vezes a canção Love is a battlefield, da Pat Benatar é, no mínimo, citá-la uma vez a mais.
Andy Serkis, entre a encarnação de Gollum e de King Kong, mostra a face; não se ganha muito. Judy Greer e de Mark Ruffalo estão iguais a si próprios, o que ajuda a passar o tempo. E isso é tudo o que De Repente Já Nos 30 tem a oferecer.
13 Going On 30 2004
O Evangelho Segundo Cinéfilo


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