Sexta-feira, Abril 01, 2011

Contraluz, de Fernando Fragata

Contraluz é o baralhar de três pequenas histórias, apenas tangencialmente tocadas umas pelas outras, que têm como elemento central a coincidência, que as faz convergir num lago, perdido no meio da aridez do Arizona, nos EUA. Maior coincidência é a função fantasmagórica da componente tecnológica: um GPS, um telemóvel e uma máquina fotográfica.
O guião é da autoria do próprio Fernando Fragata, que em 1998 mostrou que um Pesadelo Cor de Rosa pode ser negro, especialmente quando tenta passar Catarina Furtado por duas coisas que ela não é: actriz e fluente em inglês. Com carreira iniciada como operador de câmara, trabalhou nessa função com Joaquim Leitão e Ana Luísa Guimarães, antes de Amor & Alquimia (1995), a sua primeira curta-metragem, ter ganho alguns festivais. Depois vieram o telefilme Pulsação Zero (2002) e o cinematográfico Sorte Nula (2004), notório pelo striptease de Carla Matadinho (mascote do canal Playboy) e ter sido filmado num descampado do Seixal.
O primeiro trailer de Contraluz contou com António Feio, actor que participou em Sorte Nula, mas não em Contraluz. Já acometido por um cancro fulminante, Feio dirige-se ao público para veicular a mensagem do filme, que é, segundo ele e as notas da produção, carpe diem, o aproveitamento de cada dia como se fosse o último ou, nas palavras do Professor John Keating de O Clube dos Poetas Mortos (1989), até ao tutano.
Filmado nos Estados de Nevada e Arizona, EUA, Contraluz inclui um café no meio do nada que foi utilizado no teledisco Telephone, de Lady Gaga, e reúne actores de ambos os lados do oceano. Joaquim de Almeida, Evelina Pereira e Ana Cristina Oliveira (quem piscar, não a vê, a fazer de recepcionista de motel) da margem europeia e Scott Bailey, Skylar Day e Michelle Mania da margem do tio Sam.
Ainda que seja fácil argumentar que a concorrência era fraca, Contraluz é o melhor filme de Fernando Fragata. As reviravoltas do guião, ainda que rapidamente se tornem previsíveis, por estarem interligadas de forma óbvia, enganam o suficiente para que a curiosidade se mantenha até ao fim. Os cenários reais são agradáveis à vista (o cartaz não corresponde a nenhuma cena do filme) e só se deitava fora a actriz Michelle Mania (anteriormente Michelle Smith). Falado em inglês.
Backlight 2010

6 Comments:

Blogger Sam said...

Caro Ricardo,

estou a preparar, para o meu blog (Keyzer Soze's Place), uma iniciativa que será composta pela opinião de vários bloggers.

Preciso de fazer o convite por mail, mas não encontro um endereço relativo ao teu blog. Deste modo, e caso estejas interessado, solicitava a indicação dessa vontade para andradesamuel@gmail.com

Obrigado desde já!

Cumps. cinéfilos.

4/04/2011 1:08 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

À partida, não vejo problema, Sam, mas agradeço mais detalhes :)

4/04/2011 7:31 PM  
Blogger Patrícia said...

Muito boa review. Informativa, precisa e concisa, atenta, bem redigida.

"As reviravoltas do guião, ainda que rapidamente se tornem previsíveis, [sic] por estarem interligadas de forma óbvia, enganam o suficiente para que a curiosidade se mantenha até ao fim" - sim, perfeitamente isto!

"Deitava fora a actriz Michelle Mania" - de pleno acordo.

Contraluz tem uma história decente e actores com os quais é fácil de simpatizar. Excepto, pois, a mãe da Lucy, que, além de actuar pouco naturalmente, não convence como "mãe", ainda por cima, de uma menina já tão crescido. Na verdade, mesmo em relação aos outros actores, creio que faltou naturalidade (excepto no caso do Joaquim de Almeida e das duas manequins)... até cheguei a pensar que fossem todos portugueses a tentar falar inglês, pelo discurso robótico, demasiado claro, cristalino e perfeito.
Outro ponto que apreciei foi o efeito de "suspensão" de alguns momentos, resultando como que em cenas estacionárias - o melhor exemplo foi o salvamento de Lucy (que, aliás, só pode ser a filha da Joana Solnado advinda do futuro).
Sim, e a obsessão por focar um sol detrás das personagens.
Os cenários inóspitos e aventureiros, de cores e luzes energéticas e vibrantes (ou vibradoras :p), agradaram. A fotografia e a filmagem foram muito a nu e cru , o que talvez conviesse melhor ao estilo e propósito do filme.

Podia ter sido um filme melhor, com a mesma história, maior naturalidade por parte dos actores e com outra mãe para a Lucy.

2/10/2012 10:04 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

é um pequeno filme, é interessante enquanto dura.

2/11/2012 8:37 PM  
Blogger Patrícia said...

que frieza inerte. assim não dá pica absolutamente nenhuma participar.

2/12/2012 1:21 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

Bem, deu-te pica suficiente para deixares mais um comentário :P

Sabes, há filmes e filmes e este não me deixou grandes memórias. hás-de reparar que já o vi há 10 meses. achei piada ao GPS, ao telemóvel e ao facto de não ter final feliz, com a picadela de abelha. o cemitério de aviões foi um cenário engraçado e não aprecio Joaquim Almeida desde o Adão e Eva.

Mas espero que o Fernando Fragata faça mais e melhor.

2/12/2012 6:21 AM  

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