Terça-feira, Março 22, 2011

Manhãs Gloriosas, de Roger Michell

 Harrison Ford encontrou outra Working Girl – Uma Mulher de Sucesso (1988) que, graças aos deuses, não tem a voz estridente de Melanie Griffith. O inegável entusiasmo de Rachel McAdams faz de Manhãs Gloriosas uma experiência minimamente ternurenta e inspiradora porque, caso contrário, não passaria de um poço de víboras superficiais a destilarem veneno inócuo umas nas outras. Esta determinada actriz de 32 anos, quando quer, parece ainda uma miúda, mas que ninguém a subestime, erro que Sherlock Holmes (2009) não voltará a cometer.
Uma jovem produtora de um programa televisivo da manhã é despedida e tem de mostrar o seu valor na concorrência, com menos audiência e orçamento. Os apresentadores são primadonas e ninguém se leva a sério. Harrison Ford é um cínico jornalista, outrora de renome, actualmente sem lugar, que Rachel insiste em transformar no novo pivot. A equipa demora a funcionar, mas o final é, previsivelmente, cor de rosa. Cor essa que não estaria verdadeiramente representada sem um interesse amoroso, e Patrick Wilson está lá para isso. Diane Keaton é a co-pivot do programa, demasiado secundária para as suas capacidades, e John Pankow (série Mad About You) apoia, com Jeff Goldblum a fazer o oposto.
O realizador de Notting Hill (1999), Roger Michell, revela-se um maquinista conciso e a história avança sobre rodas. Claro que o argumento admite alguns facilitismos, com a produtora a despedir o apresentador antes da emissão começar e não se sabe o fado da emissão desse dia, já que o substituto leva algum tempo (dias?) a convencer. No fundo, Manhãs Gloriosas não passa de um feel good movie pouco exigente e, como tal, atinge o seu objectivo com facilidade.
Morning Glory 2010

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