Terça-feira, Março 29, 2011

A Lenda de Kamui, de Yoichi Sai

 Kamui é um jovem Ninja saído da pena de Sanpei Shirato, em 1965, que da manga já tinha passado para o anime televisivo, em 1969. Kamui está em fuga dos assassinos que o clã mandou no seu encalço, porque decidiu deixá-los. No animé, Kamui passa o tempo a enfrentar os assassinos enviados no seu encalço e acaba por enlouquecer, de tanto olhar por cima do ombro. No filme, Kamui passa a primeira hora a cumprir esse fado, sendo inclusos esparsos flashbacks que ajudam a explicar porque se rebelou contra o clã e a consolidar o ressurgimento, mais adiante, de duas personagem do seu passado.
O enredo segue em ponto morto, com algumas coreografias de artes marciais muito amadoras e conseguidas através de cabos descaradamente identificáveis (foram apagados na pós-produção, mas nota-se onde confluíram com a roupa do actor) e só quando a audiência começa a embrutecer é que se lembram de meter a primeira, com os enguiços naturais de acelerar nessa situação. Não se percebe como é que, da terra, se passa para uma tempestade marítima numa pequena canoa de leme manual na popa, mas Kamui faz a travessia e é recolhido por uma família de pescadores cheia de predicados: o pater familis é homem para cortar a perna do cavalo de um nobre para fazer iscos do osso e a esposa é uma fugitiva do mesmo clã de ninjas que Kamui, presumida morta. A filha mais nova apaixona-se por Kamui e ele conhece momentos de paz, mas outros factores precipitam-se para que a tempestade venha para terra.
No cômputo geral, Kamui Gaiden é emocionalmente vazio, as artes marciais são insípidas (Kenji Tanigaki e Ouchi Takahito, coreógrafos e directores de duplos, fizeram um trabalho desastroso) e o actor principal, Matsuyama Ken’ichi (L nos filmes Death Note) é mais inexpressivo do que Keanu Reeves. Os efeitos especiais são económicos e mal conseguidos (especialmente nas cenas subaquáticas e nos combates entre copas de árvore), exceptuando-se uns deliciosos mas breves tubarões digitais, que dão saltos fora da água tão altos como um golfinho (a imagem de wrestling entre um figurante e um tubarão é hilariante).
Kamui Gaiden 2009

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