Quarta-feira, Março 02, 2011

Despojos de Inverno, de Debra Granik

Em 2006, Debra Granik e a co-argumentista Anne Rosselini abordaram Daniel Woodrell sobre a adaptação do seu novo manuscrito, ao que este acedeu, por ter gostado do primeiro filme delas, Down To The Bone, até ao pormenor de ambos terem Bone no título. A história é muito simples: se o pai não comparecer no tribunal dentro de uma semana, a família Dolly será despejada. Como o pai anda a monte, Ree, de 17 anos, com uma mãe catatónica e dois irmãos pequenos a seu cargo, mete-se a caminho, à procura do pai, através de campos onde homens e mulheres usam bigode e têm poucos amigos, dentro e fora da família, e um código de silêncio cuja ameaça não poupa os dentes nem das mulheres bonitas.
 Talvez por ser considerado uma ave rara, recebeu o Prémio do Júri de Sundance e nomeações para os Óscares, mas Despojos de Inverno não passa de uma anónima película de baixo orçamento, tendo por pano de fundo uma comunidade rural de traficantes de droga, e onde praticamente não acontece nada. A curiosidade vai sendo mantida mais pela fé de que algo venha a acontecer do que propriamente pela experiência de esclarecimento, que chega no final e é de tanta simplicidade quanto previsibilidade. A actriz Jennifer Lawrence teve de andar muito a pé e de aprender a cortar lenha para se imbuir do papel protagonista, mas isso não é o mesmo que aulas de representação. John Hawkes (Eu Tu E Todos Os Que Conhecemos, 2005) dá algum apoio e Sheryl Lee (a eterna Laura Palmer de Twin Peaks) tem uma única cena.
Winter’s Bone 2010

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