72 Horas, de Paul Haggis
Um pachorrento professor de liceu decide planear a fuga da esposa da prisão. Convicto da inocência dela e esgotadas as vias legais, as saudades falam mais alto e nada irá pará-lo; a não ser, talvez, a polícia. 72 Horas é um remake americano do filme francês Pour Elle (2007), de Fred Cavayé, escrito e dirigido pelo oscarizado Paul Haggis.
O homem por trás do enredo de Million Dollar Baby, Crash, As Bandeiras dos Nossos Pais, Cartas de Iwo Jima, Casino Royale, Crash e O Vale de Elah meteu o pé na poça e esta era funda. Longe vão os tempos em que criou a série Walker, o Ranger do Texas (1993), e Chuck Norris tê-lo-á habituado mal: um homem comum não é capaz de tudo, especialmente se for gordo e murcho como o actual Russell Crowe, tão longe dos seus tempos de Gladiador (2000) como Haggis de O Vale de Elah (2007), o seu melhor trabalho.
72 Horas começa por estabelecer o protagonista como um bonacheirão, que não faz mal a uma mosca, e depois põe-lo a agir erraticamente, roubando traficantes de droga de pistola em punho, para angariar dinheiro para a vida de fugitivo, e finalmente a empreender o resgate da esposa às garras do sistema prisional, com fuga elaborada incluída. Implausibilidade ao rubro num filme desequilibrado, que é dividido entre os acontecimentos dos últimos três anos e os dos últimos três dias. O ritmo do filme acorda do coma apenas na operação de resgate, o que é claramente insuficiente para agarrar um espectador já desgastado. Na pior das reviravoltas, Haggis insiste em não deixar pontas soltas, esclarecendo até o que mais valia ficar intuído (um botão a menos num bueiro teria sido o mínimo) ou até por decifrar.
Provavelmente, o filme teria funcionado com outro realizador, argumentista e elenco. Haggis não sabe o que fazer com a história, Russell Crowe não tem um perfil convincente, Elizabeth Banks é mais adequada a comédias e Olívia Wilde, de tão mediática, soa deslocada num papel vazio. Liam Neeson tem direito a uma cena, mas até ele a desperdiça.
The Next Three Days 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo




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