A Tempo e Horas, de Todd Phillips
O realizador das comédias brejeiras Road Trip (2000), Old School (2003), Starsky & Hutch (2004), School For Scoundrels (2006) e A Ressaca (2009) regressa com um road movie que é a secura em película, assente na premissa de que um indivíduo discreto e organizado é constantemente alvo de humilhações por parte de outro que, à falta de melhor, poderá descrever-se como néscio, asqueroso e inconsciente, com o cúmulo de, aparte algumas histerias, lhe perdoar todos os excessos e ainda considerar isso uma forma de companheirismo. Do mais triste que o desespero de um argumentista pode atingir, este guião é um autêntico grito por uma urgente mudança de profissão.

Robert Downey Jr e Zach Galifianakis entregam-se à falta de graça como suicidas no topo de um arranha-céus, mas nem àqueles que querem ver sangue conseguem esboçar um sorriso que seja. Ilustrativa é a cena em que passam a noite no carro, porque não têm dinheiro para um motel, e Galifianakis, para adormecer, se masturba ruidosamente no assento, ao que é imitado pelo cão, um bulldog francês branco.

Ainda que não seja oficial, A Tempo e Horas assemelha-se a um remake de Plains, Trains & Automobiles (1987), uma comédia de John Hughes com um par de opostos a terem de aguentar-se durante uma longa e atribulada viagem através dos EUA. Downey Jr é o republicano de gravata e Galifianakis o democrata de écharpe, permanente e trejeitos gay. No fundo, o primeiro parece inteligente e o segundo simplório, mas o argumento rapidamente os reduz a ambos à estupidez e à indigência. Jamie Foxx e Michelle Monaghan têm curtas aparições, com Juliet Lewis e o realizador a fazerem de casal, no mesmo cameo.
Due Date 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo


0 Comments:
Enviar um comentário
Links to this post:
Criar uma hiperligação
<< Home