Sábado, Fevereiro 12, 2011

O Amor É O Melhor Remédio, de Edward Zwick

Corria o ano de 2001 e Charlize Théron, a padecer de doença feia, tentava poupar-se a desgostos desnecessários, através da compartimentação dos namorados por meses estanques. Keanu Reeves chegava em Novembro e era despachado antes de ter tempo de fazer as compras de Natal, porque Charlize não gostava de despedidas. O Amor É O Melhor Remédio recauchuta Doce Novembro, substituindo o cancro pelo Síndrome de Parkinson e temperando-o com Viagra; se o primeiro faz tremer, o segundo dá firmeza.
O Amor É O Melhor Remédio é uma comédia romântica que partilha a temática com Sexo Sem Compromisso (2001) e convém notar que o seu título original seria traduzido à letra por Sexo E Outras Drogas, sem qualquer referência a amor. É oficial, Hollywood força a nota da liberalização da promiscuidade, do culto da entrega ao momento e à oportunidade, dá luz verde à descarga de endorfinas como satisfação energética publicamente aceitável. Jake é um convencido e mulherengo delegado de informação médica e Anne uma artista plástica que se envolvem numa base puramente sexual, só bastante mais tarde expandindo os horizontes a uma ligação sentimental, que ela primeiro rejeita, por causa da sua doença, e depois abraça, porque o amor verdadeiro pode não voltar a bater-lhe à porta, especialmente enquanto ainda é capaz de rodar a maçaneta.
O Amor É O Melhor Remédio é simples, directo e franco, socorrendo-se de linguagem brejeira, nudez despudorada e humor acessível. É para quem gosta. Jake Gyllenhall conserva a musculatura adquirida para Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo (2010) e Anne Hathaway perdeu as bochechas que a guarneceram de Princesa a Diabo, mas manteve o peito farto e bonito que já pavoneara em Havoc (2005), como podemos ver, comprovar e, se fecharmos os olhos, tocar. Para quem acha que mais é melhor, saiba que não há como errar com seios naturais.
Na actual conjuntura sócio-económica ocidental, uma comédia que se vangloria, com impudência, do poder da corrupção e da falta de ética para o avanço do capitalismo, aqui representado pela Multinacional Pfizer, traz um travo amargo de boca, seja em comprimidos ou cápsulas. Os esquemas para convencer os médicos a veicularem medicamentos, independentemente do valor intrínseco dos mesmos, não podem ser encarados de ânimo leve, especialmente face à dificuldade enfrentada pelos genéricos para encontrarem o seu nicho. De qualquer modo, esta é a realidade, que sirva de lição.
A narrativa situa-se cronologicamente em 1998, palco da transição da loucura do Prozac para a ainda maior que foi o Viagra, e baseia-se no livro de Jamie Reidy, um delegado de informação médica da Pfizer, Venda Dura: A Evolução de Um Vendedor de Viagra, onde não há um interesse amoroso para o protagonista, segundo o autor, porque a mãe dele poderia ler o livro. Sem esses pruridos, o realizador Edward Zwick insistiu precisamente neste ponto, pondo os actores a assistir aos filmes O Último Tango Em Paris, 9 Songs e Pillow Talk, com a quantidade de corpo que iriam mostrar a ser definida nos contratos.
 O Amor É O Melhor Remédio é simpático, mas debate-se no equilíbrio dos diversos desafios a que se propõe: o romance, o drama, o erotismo, a comédia ligeira e o humor mais desbragado. Começa com fôlego e ousadia, mas enguiça quando o casal se apaixona, mostrando dificuldade em gerir a provocação do sexo sem afectos com a natureza sensível do romance. O humor brejeiro juvenil, que afecta o todo (especialmente quando o irmão de Jake abre a boca), não ajuda. Alguma comiseração (o médico desiludido que lamenta o estado da sua profissão, numa festa) também era evitável.
Sex And Other Drugs 2010

2 Comments:

Blogger Cláudia said...

Antes de mais nada, tenho que dizer que o par Gyllenhall/Hathaway já entrou para o top dos melhores... Sou só eu que acho que eles se deviam casar e ter muitos filhos?! é que pelo menos no grande ecrã a junção resulta.

É pena é ser a única coisa a resultar. Estive 3 meses à espera deste filme e saí do cinema com a sensação que se podia ter feito mais e melhor.
Acho que o filme a meio passa para plano de poupança de energia, porque a partir do momento em que eles se apaixonam a história fica lenta, aborrecida e completamente previsível.
No fim já ninguém tem pena dela, simpatia por ele e paciência para aturar o humor do irmão (que a meu ver irrita desde o inicio).
Acho que o realizador não saiu da zona de conforto, apostando que as mamas de Anne Hathaway e os abdominais de Jake Gyllenhall fariam o trabalho que devia ser ele a fazer.

Enfim.....

2/13/2011 11:23 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

em comparação, nem imagino quem decidiu juntar a natalie portman e o ashton kutcher, faz-me lembrar a dupla schwarzenegger & devito.

o realizador não nasceu ontem, mas já não faz comédias há imenso tempo, ele sempre preferiu épicos.

é um filme como muitos altos e baixos.

não achei o par assim tão ideal. não estão mal, mas ele parece muito pequenino para ela.

2/14/2011 10:45 PM  

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