Megamind, de Tom McGrath


Primeiro, um responso aos super-heróis: se não fossem tão convencidos, talvez não tivessem arqui-inimigos. A inveja é uma atitude muito feia, é verdade, mas um pouco de humildade da vossa parte podia fazer maravilhas em relações públicas. É um conselho que se adequa a todos os que sempre subiram facilmente. Dito isto, super-vilões, não sejam tão mesquinhos, há espaço para todos.

Megamind, ao cabo de anos de tentativas para derrotar o Metro-Man, consegue destruí-lo, apenas para aperceber-se de que tal deixou um enorme vazio na sua vida, só substituível pela confecção de um novo super-herói, plano que corre de mal a pior. Enquanto acerta a situação, Megamind vai conhecer a amizade e o amor, factores que, somados, provam que mais vale ser adorado do que temido.

A equipa por trás de Megamind é imbatível. Ao leme, está o realizador e argumentista dos dois Madagascar (2005 e 2008), que nos anos 90 pertencera ao departamento de animação da série Ren & Stimpy e do filme Space Jam (1998), que reuniu vários looney tunes a Michael Jordan num esforço de criação de 3D através de sombreados. Desta vez, o 3D é real e recomenda-se. A animação propriamente dita também, já que as expressões dos personagens,

Will Ferrell, Brad Pitt, Tina Fey, Ben Stiller e David Cross são as vozes. Nunca imaginei dizer isto, mas Ferrell está brilhante, e a sua melhor qualidade é não se perceber que é ele; Stiller também está incógnito. Quanto a Jonah Hill, é curioso notar que o personagem Hal lhe copia os traços físicos, mas quando se transforma em super fica tal e qual a actriz Kristen Schaal.

Com Ben Stiller (co-produtor executivo), Guillermo Del Toro (consultor criativo) e Justin Theroux (script doctor), Megamind é mil vezes o que Gru O Maldisposto não conseguiu ser (e Steve Carell foi uma péssima voz para Gru). Curiosamente, Hans Zimmer é o compositor de ambos, assistido por Heitor Pereira

Ainda na comparação entre Gru e Megamind, é de referir que este conquista a mulher dos seus sonhos, enquanto que o primeiro salta esse passo, tornando-se pai adoptivo de três crianças, sem lhe vermos a menor inclinação romântica ou pretendente; a educação dada pela mãe de Gru (e sem uma presença paterna visível) arruinou-o nesse e noutros departamentos. Até nisso Megamind lhe passa a perna.

Megamind 2010
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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